Diário de um Vampiro - Cain Hargreaves

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Diário de um Vampiro - Cain Hargreaves

Mensagem por Érebus em 25.01.15 0:19



DIÁRIO DE UM VAMPIRO
Um vampiro guerreiro dos deuses, abençoado por Nyx e Érebus. Filho fda magia e do sangue. Aquele tão atingo que presenciou boa parte da história do mundo. Ele tem muito para contar...

The secret side of me I never let you see
I keep it caged, but I can't control it. So stay away from me, the beast is ugly. I feel the rage and I just can't hold it.

It's scratchin on the walls. In the closet, in the halls. It comes awake and I can't control it. Hidin under the bed. In my body, in my head. Why won't somebody come and save me from this? Make it end.

I feel it deep within. It's just beneath the skin. I must confess that I feel like a monster.

I hate what I've become. The nightmare's just begun. I must confess that I feel like a monster.

My secret side I keep hid under lock and key. I keep it caged, but I can't control it. 'Cause if I let him out he'll tear me up, break me down. Why won't somebody come and save me from this? Make it end.

Its hidin in the dark. Its teeth are razor sharp. There's no escape for me. It wants my soul, it wants my heart.

No one can hear me scream. Maybe its just a dream. Or maybe its inside of me. Stop this monster.

I gota lose control. Is something radical. I must confess that I feel like a monster

DIÁRIO DE UM VAMPIRO :: CAIN HARGREAVES



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Érebus

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Re: Diário de um Vampiro - Cain Hargreaves

Mensagem por Érebus em 25.01.15 0:20



A ÚLTIMA CAÇADA
The secret side of me I never let you see. I keep it caged, but I can't control it. So stay away from me, The beast is ugly. I feel the rage and I just can't hold it

As gotas fracas de uma chuva gelada de outono açoitavam as janelas grossas de vidro daquela cobertura. Apreciando alguns goles do líquido rubro que me mantinha vivo, eu as observava enquanto recordava das lembranças que traziam. Perguntei por quantas vezes havia batalhado com um clima daqueles. Foram muito poucas. E quantas vezes tinha vencido? Todas! Em um campo de batalha a chuva sempre foi minha maior aliada, pois, ou fazia os inimigos recuarem, ou me permitia grandes vantagens sobre eles. Quando se é um vampiro veloz e forte, as lamas sobre seus pés e sua armadura empapada não te prejudicam em nada, já não posso dizer o mesmo de meus oponentes... Este clima sempre foi o meu favorito logo depois das frias nevascas, capazes de matar muito mais que minha espada afiada.

O som tranquilo das águas também afastavam da minha mente os sons de batalha, os sons que ouvi por tantos séculos, mas que não eram tão apreciados por mim, pois preferia o silêncio profundo e sepulcral, aquele que anunciava as mortes de todos meus inimigos.

E era aquele som tranquilo que embalava o sono de Lana, minha pequena feiticeira perdida. Ainda tão jovem e inocente, profundamente traumatizada, mesmo depois de alguns dias sob minha proteção. Eu permanecia ao seu lado, de pé, atento aos seus movimentos mais discretos. Ela parecia tão desprotegida.

Seus primeiros dias foram difíceis, ela gritava sempre que despertava após um pesadelo. Acordava em um único salto, esbaforida, apavorada, frágil e dependente. Ainda possuía terríveis lembranças, pois tudo ainda era bem recente. Repleto de ódio eu jurava vingança, sabia de tudo. O porco e a vaca covarde que a traumatizaram em breve receberiam minha visita, eu só precisava de tempo e um plano diabolicamente perverso para faze-los sofrer.

Apesar de para ela eu ainda ser um estranho, passou a confiar em mim instantaneamente. Nossa ligação permanecia forte, mesmo após sua repentina partida e os muitos séculos que nos separaram. Lana não se recordava de mim, contudo, eu já a conhecia e apesar de toda minha natureza monstruosa, sabia de seus medos, segredos e coração. Esperava pelo seu retorno há séculos, após uma promessa dos deuses. Esses mesmos deuses que me convocaram mais uma vez como seu guardião. Dessa vez eu não estou disposto a falhar, estarei sempre ao seu lado. Entendendo que tudo será diferente, ela está muito diferente.

Aquele pouco de sangue que eu bebericava não mostrou ser o suficiente para matar toda minha necessidade vital, precisava caçar e tudo estava preparado para mais uma noite. O caminhão seguia o destino do abatedouro, o que em breve se tornaria o túmulo de alguns jovens inconsequentes e amaldiçoados pela sorte. Ainda não tinha ideia de quantos haviam conseguido para o banquete, talvez cinco ou seis. Seriam a refeição daquela noite, eu estava sedento.

Enquanto minha pequena dormia um sono profundo e induzido, cobri seu corpo para protege-la da temperatura baixa de outubro, o clima estava frio. Reservei poucos segundos para observá-la, ainda era difícil de acreditar. Ela estava mesmo ali. A alegria que por muitos séculos me fora apenas superficial, agora era real, completa. Um vampiro capaz de sorrir com verdade e sem nenhum motivo obscuro? Poderia não ser muito fácil acreditar, mas desde sua chegada eu experimentava essa sensação. Era um tolo contente, mas um tolo que ainda tinha muita sede.

Após um beijo em sua testa, sai daquele quarto.

- A van, senhor? – um dos funcionários – também vampiro – questionou acompanhando-me com passos rápidos.

Acenei negativamente com a cabeça enquanto entrava no elevador privado. Ele me seguia como um cão fiel, mas sabia que sua entrada ali era proibida.

- Preparem o porsche.- ordenei com a porta do elevador se fechando e vendo o homem assentir com a cabeça, estático do lado de fora. Nem sabia seu nome, mas gostava de seus serviços. Falava pouco, cumpria as regras, trabalhava sem descanso e reconhecia todo meu poder. Era um bom serviçal, recém transmutado por um vampiro qualquer, mas eficiente.

Na calçada, logo na entrada do estacionamento, o porsche me aguardava. O motorista ao seu lado, em uma posição que me fazia recordar dos soldados reais ingleses. O sorriso escapou entre meus lábios, eu ainda conseguia me divertir com essas coisas tão insignificantes, principalmente quando estava de bom humor. Só não pude manter o sorriso, pois isso poderia incentivar o homem a fazer o mesmo e então eu teria que mata-lo. Não poderia dar confiança para aqueles restos inferiores.

Entrei no carro, sem encarar o motorista que permaneceu em sua posição como uma estátua. E parti, rumo ao abatedouro em uma velocidade acelerada, experimentando um mínimo de adrenalina. Sentia minha boca salivar só de imaginar o gosto de sangue fresco. A caçada também me excitava, o som daqueles corações desesperados, o odor característico do desespero e medo, a certeza de que iriam morrer. Tudo isso para um predador é como estar em um paraíso, um paraíso que terminará em morte e êxtase pelo banho de sangue. Eu poderia me acostumar com essa rotina, mas ainda era bom demais me sentir ansioso por ela.

O velocímetro marcava mais de 200km/h. O carro poderia chegar muito mais longe e por isso pisei no acelerador, chegando ao local em poucos minutos, mal podia esperar. O caminhão cruzava o portão do cemitério clandestino, por anos eu usava aquele lugar para minhas caçadas, desde que o desativaram na década de 50. Em poucos segundos a diversão começaria.

Com um único salto fui capaz de subir no telhado, entrando por um dos buracos do teto, caindo sobre o solo do interior do abatedouro, abrindo rachaduras devido a minha força. Era uma entrada que sempre gostava de fazer, justamente para causar impacto. Nessas horas me esquecia de ser discreto, na verdade fazia questão de me mostrar como um exibicionista.

Como sempre, os jovens já estavam fora do caminhão, confusos, chorosos, enquanto eram mantidos sob a mira de uma arma.

- Bom trabalho, Vincent. – parabenizei o caminhoneiro que trabalhava para mim todas as quintas e domingos. A parceria durava mais de cinco anos e ele nunca cometera nenhum erro. Outro funcionário eficiente, este apenas um humano comum e inescrupuloso, um tipo que encontramos em qualquer esquina.

- Agora é com o senhor. – ele disse e eu entreguei o pagamento do dia: 10,000$. Valia a pena, a mercadoria era de primeira, eu os observei calmamente. Todos saudáveis, jovens e lutadores. Estavam intactos, sem ferimentos, como eu gostava.

O susto do quinteto por eu ter aparecido da minha maneira durou pouco. Uma das meninas sacou um pequeno canivete, tentando parecer ameaçadora, mas sua mão tremia. Vincent partia, sumindo em meio a escuridão. O teto do abatedouro era de vidro, dando a visibilidade que a lua nos proporcionava, mas ela não era capaz de iluminar os pontos cegos daquele lugar, nem a passagem secreta para a saída.

E então hora da caça começou. Um dos meninos ousou correr, com certeza o mais fraco. Em um único salto já parei à sua frente. Seus olhos apavorados me encarando logo perderam o brilho. Quando minhas presas saltaram, o rapaz recuou, acuado.

- O que... – nem houve tempo para terminar sua frase. Saltei sobre ele, cravando minhas presas em seu pescoço frágil. Caímos, ele tentava lutar, mas aos poucos perdia sua força. O sangue quente sendo sugado, minha sede sendo parcialmente saciada, aquilo acelerava as batidas mortas de meu coração adormecido. Fazia 23 horas que não me alimentava daquela maneira e isso para mim parecia uma eternidade, precisava me deliciar com o banquete.

Os gritos apavorados e a correria começava, eu me concentrava em tragar todo o sangue daquele corpo já morto, não costumava deixar nada para trás e isso dava a oportunidade para muitos tentarem uma fuga, mas ninguém era capaz de fugir do maior predador da história.

Quando todo sangue do jovem desconhecido havia se esvaído, sugado por mim, levantei-me, ainda mais sedento. Eu farejava o meu sentimento favorito: o medo. Podia ouvir mais quatro corações, todos batendo desgovernados, a respiração daqueles jovens já estava ofegante. Estavam todos juntos escondidos por baixo do caminhão. Com certeza tremendo. Eu passei a brincar naquele jogo de gato e rato, exercitando meu humor negro e vampírico. Rodeei aquele veículo algumas vezes, esperando que eles tivessem a esperança de que não seriam encontrados.

Aos poucos os corações pareceram se acalmar. Eu me afastei.

- Será que ele foi embora? – perguntou mais um menino, o último do quinteto. Não houve resposta, apenas um choro discreto, abafado.

- Ele vai nos matar. Eu não quero morrer. – a menina que chorava sussurrou.

- Calma! Vou olhar. – o rapaz disse e nesse momento corri em minha velocidade máxima, mais rápido até que meu porsche. Agarrei sua cabeça e o joguei contra uma das paredes. O som dos seus ossos estalando, quebrando e depois a queda . Ele ainda estava vivo. Por pouco tempo.

Saltei sobre ele e abati minha caça, sugando seu sangue até o fim, como sempre. As meninas corriam atrás de mim, cada uma seguindo para um lado, parecendo baratas desgovernadas. Mais um salto e cai sobre uma, uma loira que nunca olhei nos olhos. Ela não lutou. Deu-se por vencida facilmente, uma decepção. Gostava quando lutavam, se debatiam, arranhavam-me, xingavam-me, tentavam me ferir. As presas fáceis eram desprezíveis. Por isso estraçalhei seu corpo usando minhas garras, usando minha transmutação completa e monstruosa. Estava furioso. Partes de seu corpo foram jogados para todos os lados, eu estava ensandecido, dominado pela besta sanguinária. Até perceber que só ouvia o silêncio. Não haviam mais gritos, apesar dos corações continuarem a bater forte.

Experimentei usar minhas garras para arranhar o caminhão, elas estavam lá dentro, eu sabia. As duas últimas. Juntas, provavelmente abraçadas, controlando suas respirações. Perguntava-me quem seria a mais corajosa, mais guerreira. Talvez aquela que me mostrara o canivete, ela permanecia viva. Precisava descobrir qual seria sua reação segundos antes de sua morte.

Abri a porta do cargueiro com um único movimento, lançando o pedaço leve de metal para longe, encontrando as meninas abraçadas, como eu imaginara. Logo a menina do canivete saltou, levantando-se e mostrando mais uma vez sua pequena arma. Dessa vez estava mais corajosa, sem tremer, com uma expressão decidida.

- O que nós fizemos contra você? – berrou. Nem respondi, apenas subi no caminhão, aproximando-me. Ela me surpreendeu ao não recuar, pelo contrário, veio em minha direção.

- Jessy, volta, por favor. – implorava sua amiga, encolhendo-se no canto.

- Você deveria ouvir sua amiga. – eu disse, irônico e com todo meu sadismo escancarado.

– focídio-se! - ela correu em minha direção, com certeza pensou que aquela era a única maneira de sobreviver, ou tentar. Era o instinto de um animal acuado prevalecendo, mas sem chance alguma de vencer. Quando a morena estava perto o suficiente, agarrei seu braço armado, empurrando-a contra o caminhão. Torci seu pulso e o canivete caiu. Mirei seus olhos, eram desafiadores, selvagens. Ela queria sobreviver a todo custo, mas eu ainda estava com fome.  A morena de olhos cinza se debateu, urrou e eu pedi em um tom baixo, enquanto admirava seu colo e pescoço:

- Implore!

Sua resposta foi uma cuspida em meu rosto. Eu cravei uma das minhas garras em sua barriga e ela gemeu de dor, virando seu rosto para que eu não pudesse ver em sua expressão o quanto aquilo machucava. Continuei a estripar seu ventre e as lágrimas dela começaram a cair, enquanto eu abria meu sorriso discreto e satisfeito.

- Devia ter implorado. – disse e cravei as presas em seu pescoço. Ela lutou, socou, arranhou, mas já estava fraca demais. Sua morte foi mais rápida do que eu gostaria. Seu corpo caiu morto em menos de dois minutos.

Senti uma pancada fraca nas minhas costas e a menina que sobrara estava correndo mais uma vez. Dessa eu não desperdiçaria nem uma gota. Corri até ela, derrubando-a com uma rasteira. Ela desabou em cheio no chão, batendo com força a cabeça e perdendo parte de seus sentidos. Pelo menos não sentiu muito quando foi morta.

Saciado, levantei-me, sentando ao lado daquele corpo e vendo ao meu redor todos os corpos e pedaços deles. O cheiro e o gosto de sangue era forte, delicioso, poderia apreciar por mais algum tempo, mas ao olhar para o relógio percebi que o tempo havia passado rápido demais. Precisava voltar para aquela que dormia.

Fiz a limpeza, incinerando os corpos e todos os documentos que identificariam os jovens. Troquei a roupa que usava, também largando-as ao fogo. Saindo do abatedouro, encontrei Vincent tragando um cigarro, esperando pelo seu caminhão.

- E ai chefe? Fez muita sujeira?  Destruiu o caminhão?

Sorri, respondendo:

- Mais que o habitual e esse caminhão não servirá mais. Já sabe o que fazer.

Depois disso subi novamente no porsche, voltando para casa ansioso. Duas horas passaram rápido, mas os poucos minutos naquele carro veloz pareceram horas. Eu me lembrava dela, ainda tão desprotegida, guardando tantos poderes dentro de si. Tinha tantas responsabilidades. Eu gostaria de perguntar o que havia acontecido em sua viagem da morte, queria perguntar porque não havia me contado sobre sua decisão. Foi doloroso assisti-la definhar com o passar dos dias. A culpa me manteve aprisionado por um longo tempo, até os deuses revelarem uma parcela da verdade, mas eu ainda queria saber de tudo, só que teria que guardar essa curiosidade. Certamente ela não se lembraria e ainda que se lembrasse, como poderia perguntar algo desse tipo para uma criança de 5 anos?

Cheguei, finalmente. Ao sair do elevador no meu andar, o meu serviçal vampiro aguardava.

- Ela está no seu apartamento, senhor.

- Mas como? O feitiço não conseguiu mantê-la adormecida?

- Parece que ela é muito mais forte do que imaginávamos.

- Claro! Fomos tolos em pensar o contrario.

Mal terminei de falar e ouvi a porta se abrir. Os sons leves da corrida. Logo ela estava saltando em meus braços, abraçando-me forte. Percebi que estava assustada, nem precisei perguntar o motivo, ela já respondeu.

- Eu tive um sonho mau. As sombras falavam coisas más e me machucavam.

Seus pequenos braços tinham força o suficiente para me abraçar sem cuidado, sem medo de me machucar. Já eu precisava conter toda a força, por mais que quisesse abraça-la forte. Não queria machuca-la.

- Ninguém vai machuca-la enquanto eu estiver aqui. Eu prometo. – disse, enquanto sentia seu rosto deitar sobre meu ombro. Naquele momento senti uma necessidade de protege-la como nunca sentira antes, percebia com o passar dos dias o quanto ela era frágil, apesar de tudo. Mas era sincera demais, como Annya sempre fora comigo. A pequena Lana me apunhalou com suas palavras raivosas e descrentes, algo que me fez repensar muitas de minhas atitudes.

- Mas você não estava hoje. Eu te chamei, mas você não veio.

Ela me destruiu com aquelas palavras e com o olhar decepcionado que me mostrou quando voltou a me encarar. Nem em todas minhas batalhas mais sangrentas um golpe tinha doído tanto. Eu estava falhando de novo. Estava deixando-a sozinha. Restou-me apenas falar:

- Desculpe. Eu sinto muito.

- Está machucado, Érebus? Tem sangue em seu pescoço. – rapidamente a menina mudou de assunto e me tocou próximo a gola da jaqueta que usava. Obviamente o sangue não era meu.

Logo estava me lembrando da primeira vez que Annya havia me visto como um vampiro. Ela ficou apavorada, preparada para fugir e nunca mais me reencontrar. Estive ao ponto de perde-la sem ao menos ficarmos juntos, e nesse tempo eu já a queria ao meu lado para o resto da eternidade. Tudo parecia ameaçar acontecer de novo.

Assustada e inocente como Lana era, certamente se afastaria de mim para sempre. Ela já tinha seus monstros para assombrá-la, não queria ser mais um na extensa lista. Por isso resolvi naquele instante ocultar a fera que era. Ela precisava de mim, mas precisava desconhecer minha identidade real.

- Leve-a para o quarto dela, Liam. – disse enquanto lutava contra a força diminuta da menina que insistia em manter-se agarrada ao meu pescoço.

- Não quero ir. Você disse que não me deixaria sozinha. Você mente! – ela gritou e eu tinha que ignorar suas palavras, manter—me firme.

Quando finalmente consegui libertá-la de mim, encarei-a nos olhos e respondi, tentando manter minha tranquilidade e postura inabalável.

- Eu não minto. Já estarei lá. Ficarei ao seu lado, sempre. Só preciso limpar esse sangue.

Ela mostrou um olhar preocupado e triste, abaixando seus olhos em seguida e sussurrando. Mudava rapidamente de emoções, todas crianças são assim?

- Eu não quero que se machuque também. Eu sei que é chato. Dói muito e...

Sorri, dando um beijo em sua testa para interrompê-la. Ela poderia falar para sempre que eu a ouviria, mas precisava sair dali. Não queria ter que mentir para ela se perguntasse novamente se eu havia me machucado.

- Vai para o seu quarto com o Liam, logo estarei lá.

A pequena assentiu com a cabeça e o vampiro a levou. Aproveitei para tomar um banho, limpar os últimos resquícios de sangue e ter a certeza de que aquela havia sido a minha ultima caçada. Sabia o que significava, mas eu encontraria um jeito de sobreviver, de alguma forma encontraria.

DATA: 25/10/2004 | COM: …| DIÁRIO DE UM VAMPIRO



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Re: Diário de um Vampiro - Cain Hargreaves

Mensagem por Érebus em 12.02.15 2:03



JUSTIÇA SANGRENTA
The secret side of me I never let you see. I keep it caged, but I can't control it. So stay away from me, The beast is ugly. I feel the rage and I just can't hold it

Eu observava a bela casa que tinha à minha frente. Olhei para o relógio, o culto devia ter acabado e o casal de imundos em breve estaria chegando. Eu não me importava em esperar, sabia ser paciente. Aguardava embalado pelo som reconfortante de uma leve garoa que caia, remoendo todo aquele ódio que sentia por dentro. Tantos meses havia esperado e finalmente poderia me banhar em um sangue que tinha o cheiro formidável de vingança.

Esperava por Damian e Viollet, o casal que por um longo tempo fez a vida de Lana, minha protegida, um grande pesadelo. Eles a adotaram quando ainda era um bebê inocente, tomaram como responsabilidade a obrigação de cuidar dela, de mantê-la segura e feliz, como ela deveria viver, mas tudo o que conseguiram foi transformá-la em uma menina traumatizada, triste e insegura. Aquela menininha que tremia em meus braços após tantos gritos, lágrimas e terríveis pesadelos. Por longas noites tive que acalmá-la quando tinha esses pesadelos com o casal, na maioria das vezes eram eles os monstros mais cruéis que a assombravam.

Eu conhecia seu passado, sabia da imensa crueldade que haviam feito contra ela.  Em uma breve, mas promissora investigação no orfanato, foram-me mostradas as fotos da grande ferida que ela tinha na cabeça quando foi encontrada em um beco escuro de L.A, além disso a menina tinha vários hematomas e escoriações. Foi deixada para morrer e por muito pouco isso não aconteceu. A polícia pouco fez, para eles ela era apenas uma pequena menina momentaneamente sem memória que fora encontrada ferida. A única atitude dos homens da lei foi manda-la de volta para um orfanato. Por isso que não tenho nenhum respeito por esse grupo de abutres. Acredito na justiça feita pelas próprias mãos e quando se derrama muito sangue. Era para fazer esse tipo de justiça que eu estava ali naquela noite.

Pude observar pelo retrovisor que ao longe duas sombras se aproximavam pela calçada da casa, no mesmo momento sabia que se tratava deles. Não sai com uma pistola, atirando na direção da dupla, continuei a esperar. Vi os dois entrarem na casa aos risos, com a bíblia nas mãos, parecendo até criaturas decentes, mas não passavam de dois monstros covardes, conseguiam ser piores que eu. Eu nunca havia sido capaz de traumatizar uma criancinha, de espanca-la por acreditar que era um demônio e larga-la em um beco escuro para que morresse, não que eu me lembre.

Permaneci dentro do carro por alguns minutos mais, imaginando o que eles poderiam estar fazendo lá dentro. Deviam estar dando suas risadas, comentando sobre as grandes palavras do pastor, aquele mesmo que havia dito que a minha pequena Lana era uma criatura das trevas, que merecia ser destruída. Para esse eu também tinha um plano especial e maquiavélico. Até que a minha paciência se esgotou, era hora de agir. Aquele casal ia sofrer, pagar por todos seus pecados.

Saí do caro com toda minha velocidade de vampiro e nesta mesma velocidade saltei sobre a cerca branca, correndo até a entrada da piscina. A porta lá era de vidro, fácil de fazer aos pedaços. Usei meu sobretudo para proteger o rosto e me joguei contra ela, provocando um alto barulho e fazendo os vidros em incontáveis pedaços. Nada ali poderia me impedir. Já dentro, olhei ao meu redor. Havia entrado em uma imensa sala bem decorada.

- O que foi isso? Alguém entrou na sala. – era a voz baixa e asquerosa de Viollet e vinha de meu lado direito. Obvio que tinha me ouvido, eu nunca fiz questão de me ocultar para atacar.

- Calma, eu vou lá ver, fique atrás de mim. – Damian, aquele que mais sofreria em minhas mãos, disse sussurrando e pareceu pegar algo para uma tentativa de ataque.

Tranquilamente sentei sobre um de seus sofás, aguardando, pensando na primeira vítima que faria. O alvo já estava pré-definido. O meu ataque seria rápido, mas muito angustiante e sujo. Provável que uma poça de sangue manchasse aquele carpete claro que cobria o chão. Em nenhum momento pensei em me alimentar daquele sangue podre, por isso não via nenhum problema em desperdiça-lo.

A sombra do homem veio primeiro, e ele falava com uma voz autoritária que me fez rir.

- É melhor sair, estou armado. – e pela sombra eu vi que carregava uma pistola.

A sombra da mulher vinha logo atrás e eu não perdi mais tempo. Corri até ela em uma grande velocidade, parando à sua frente e usando minhas garras para cravar em seu pescoço. O som dela sufocando começou no mesmo instante, eu ainda pressionei mais, podendo ver seus olhos apavorados enquanto o sangue caia. Com mais fúria pressionei, sentindo que agarrava a sua cartilagem tireóidea. E puxei um osso sem mais pensar. O olhar apavorado da mulher sabendo que já estava morta foi uma das visões mais perfeitas que já tinha visto na vida. O sangue jorrava enquanto por alguns segundos ela ainda se mantinha de pé. Até que desabou.

- Viollet, não! – gritou o porco de seu marido e eu ouvi um estampido. Uma queimação no meu ombro me deixou furioso. Aquele verme havia atirado contra mim.

Eu já estava completamente transmutado, agindo como uma besta feroz, ainda mais selvagem pelo me desejo. A sede agora era apenas de vingança.  Golpeei o homem com uma única cotovelada e ele saiu quase que a voar por cima dos sofás e alguns móveis da sala. A arma havia ido parar em outro lugar qualquer, bem longe dele.

Ao ouvir aquele corpo cair no chão, saltei sobre ele, usando meu próprio corpo para mantê-lo imóvel. Fiz questão de mostrar minhas presas e ele começou a chorar, implorando pela sua vida a um deus que devia ser tão covarde quanto ele.

- Só é corajoso com uma arma na mão ou com criancinhas de cinco anos, não é? – perguntei com minha voz deformada pela fúria e transmutação.

Fiz questão de machuca-lo quando me levantei, pisando sobre seus braços e barriga e depois o pegando pelos cabelos. Ele gritou, principalmente enquanto eu o carregava pela sala até sua cozinha. Demorei um pouco para acha-la e nesse tempo o homem parou de berrar, parecia ter perdido o folego. Damian apenas queria saber o que eu faria com ele.

- Algo que vai doer muito. – respondi uma única vez, acendendo a luz da cozinha e foi a partir dali que a minha face mais perversa começou a se manifestar. O ataque contra Viollet não foi nada cruel se comparado ao que faria com aquele homem.

O peguei pelos pés, jogando seu corpo contra a parede. O urrar de dor e o choro veio logo depois, mas não havia mais chances de eu parar. Saltei novamente sobre o homem e com minha força imensa quebrei cada membro de seu corpo, a começar pelos braços que virei para trás e depois foram as pernas, que virei uma para cada lado. Os gritos eram altos, a vizinhança já devia ter ouvido, a polícia logo chegaria, eu precisava ser rápido.

Enquanto Damian se contorcia com os poucos movimentos que ainda lhe restavam, liguei o forno micro-ondas. Havia chegado o gran finale. O homem não podia se mexer muito, parecia uma naja desgovernada, só contava com seus movimentos da cintura, foi fácil coloca-lo sobre a mesa leve da cozinha e depois leva-lo até o forno, colocando sua cabeça lá dentro, fechando parcialmente o eletrodoméstico e esperando, a qualquer momento ele explodiria e em pouco mais de um minuto isso aconteceu. Os miolos saltaram de dentro do micro-ondas, manchando um pouco a cozinha.

As sirenes soavam ao longe, a policia chegava, mas eu não deixaria nenhum corpo ali, eles ficariam melhor em outro lugar, na porta de certo pastor que pregava agressão à criancinhas. Peguei o corpo de Damian em um dos braços e depois o de Viollet em outro, carregando-os com facilidade, saindo pela porta quebrada da piscina, saltando sobre telhados e quintais, correndo até a casa do pastor que obviamente eu sabia onde morava, havia fito muito bem toda a investigação. O carro que deixei para trás nem era minha preocupação, havia roubado de um jovem inconsequente após mata-lo e sugar todo seu sangue. O único ataque com morte que eu fizera após minha última caçada e o que manteve minha força para concluir minha vingança naquela noite.

Pouco tempo depois estava na casa do pastor, largando os corpos na sua porta e ainda deixando um bilhete manchado de sangue onde estava escrito:

- Você será o próximo.

DATA:  12/01/2005 | COM:  OS IMUNDOS | DIÁRIO DE UM VAMPIRO



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Érebus

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Re: Diário de um Vampiro - Cain Hargreaves

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