Nick's Grimory

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Nick's Grimory

Mensagem por Nickolay S. Scott em 15.10.14 10:28



I love you so much, but you gonna die!


A s coisas pareciam piorar com o passar dos tempos. Eu tinha apenas 15 anos na época, e me lembro desta época de minha vida com total perfeição. Vivíamos em Salém, Massachusetts, apenas eu e meu pai, minha mãe, já morta, fazia-me falta, apesar de eu não me lembrar dela, afinal ela se suicidara poucos minutos após meu nascimento e sua tentativa falha de me matar. Como eu sabia desses detalhes? Meu querido pai fazia questão de esfregar em meu rosto que eu era o responsável por ela ter morrido. Ela e ele casaram-se nesta pequena e esquisita cidade, eram felizes, construíram sua própria moradia, lutaram e trabalharam pelo lugar deles, e tudo tinha sido feliz até eu me intrometer na vida deles. Desde que eu fora descoberto num teste de gravidez, minha mãe havia ficado estranha, pelo menos meu pai dizia, irritado quando bebia vez ou outra após chegar cansado do trabalho. Dores e manchas negras por seu corpo surgiam diariamente, apenas piorando a sua situação. No dia do parto ela havia balbuciado o dia inteiro sobre carregar um monstro dentro dela, uma criança amaldiçoada.
Meus poderes desde cedo foram um problema pra vida dos Scott. Meus parentes da família de meu pai não foram me visitar, tudo fora trágico demais, bizarro demais para meus familiares terem a coragem de irem me visitar, portanto, depois da minha mãe tentar me matar assim que nasci e se suicidara, meu pai ficou sozinho. Desde pequenos, nossa relação foi algo paradoxo, e até mesmo emblemático, poderia passar horas descrevendo. Quando eu era pequeno, meu pai pouco se aproximava de mim, parecia acanhado, como se fosse ele a criança assustada e eu o pai amedrontador. Era algo invertido, ativo-passivo ou algo a mais. Quando eu me machucava com minhas peripécias, ele chegava correndo, preocupado, mas ativava sua face de "não me preocupo contigo" e apenas dizia onde estava o kit de primeiros socorros, mandando eu pedir ajuda para a vizinha porquê ele estava ocupado demais.
E assim, o tempo voou rápido. Na escola conversava com poucas pessoas, a maioria parecia incomodada perto de mim. Eu sabia que tinha algo ao meu redor, que parecia fazer as pessoas ficarem com pensamentos perturbados e confusos, até mesmo depressivas. Eu sabia porquê tinha um colega na minha escola que era um telepata, e ele no início evitava chegar perto de mim porque alegava ver escuridão em minha mente, e sua cabeça "esquentava". Depois, ele foi praticando e então passou a não se incomodar mais com a minha presença.
Tirando o meu melhor e único amigo Marvin, tudo ao meu redor era estranho e desconfortável. Gostava de brincar na casa do loiro e nos divertíamos bastante, nossa amizade florescia e ele era uma distração para longe do mundo perverso em minha casa. Quando meu pai chegava do trabalho, seu olhar era cruel, o que saía de sua boca era ruim e sempre ofendia. Eu era um monstro, um pesadelo pra ele, eu era o culpado por sua amada esposa ter morrido, nunca deveria ter nascido, era isto que ele me repetia noite após noite quando chegava do trabalho. Um outro passatempo preferido seu era pisar em meus brinquedos, esmagando-os.

Naquela noite, não foi diferente, mas desta vez eu estava na mesa, comendo tranquilamente a comida que eu havia feito. Apesar de ter 15 anos, eu deveria deixar a comida pronta pra quando ele chegasse. Seu olhar rígido disparou em mim, e eu o odiei, praguejando-o. Eu comia o mais rápido que podia, pra que quando ele chegasse, comesse sozinho sem minha companhia, poderia parecer estúpido, mas era mais uma das minhas formas de dizer pra ele ir se ferrar subliminarmente.
- O que fez hoje, seu inútil? - ele falou sentando-se na mesa. - Estou muito cansado, coloque minha comida. - ladrou ele para mim, acomodando-se na cadeira como se fosse um rei. Revirei os olhos e me levantei, pegando o prato e botando-o de qualquer forma próximo dele, indo pegar o caldeirão quente e pondo-o na mesa. Me lembro de como ele se irritou por conta da sopa ter muito sal, ele brigou, brigou, gritou, me culpou por ter queimado os lábios mesmo eu tendo avisado, e como me deu um forte tapa. Aquele dia foi um marco na minha vida, mas um marco terrível, originado pelo espancamento que eu sofri. Lembro-me dele ter dito que eu era uma coisa bizarra que tinha magia feito minha mãe, e que ela havia previsto isto e por isso me chamou de demônio quando nasci - ao me tocar, viu o que eu era e no que iria me tornar, então tentou me matar, pelo menos foi o que meu pai disse.
Depois... tudo foi rápido. Não sei porquê escrevo isso aqui, talvez seja pra livrar a mim mesmo da dor das memórias enquanto escrevo... não sei ainda. Mas logo as chamas negras saíram de minhas mãos, passando a queimar tudo ao meu redor, eu não me queimava, de forma alguma, nem quando as chamas negras queimaram o gás e aos poucos o fogo aceso do café incendiou a casa. Saí correndo, minhas roupas queimando mas eu não sentindo nada. A casa então explodiu, meu pai morreu... era pra eu ficar feliz, mas eu estava sem casa agora...
Por mais que seja bom me livrar do meu pai, acho que meu masoquismo me permita amá-lo... pois às vezes sinto falta da forma como ele me olhava. Seu olhar era triste, se olhasse bem fundo, ele queria me perdoar, ele tentava, mesmo falando rudemente pra eu fazer meu dever de casa direito, continuava se preocupando. Às vezes, sinto falta dele...


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Re: Nick's Grimory

Mensagem por Nickolay S. Scott em 23.10.14 2:49



The worst first day ever!


O meu primeiro dia naquele lugar horrível, afastado de minha casa era uma tortura. Me lembro bem de como a casa se resumiu a meros pedaços de madeira chamuscados que caíam com o mínimo sopro do vento. As cinzas negras tingiam o ar de forma melancólica, as nuvens negras acima, um mau presságio. Eu observava o modo como as chamas bailavam e morriam, tristemente, o fim da dança cessava com ela a vida daquele que um dia - ou não - se orgulhara de me chamar de filho. Os vizinhos estavam chocados, alguns passavam as mãos ásperas pela careca, algumas mulheres rezavam, boquiabertas, pondo a mão em seus terços balbuciando orações, olhando-me como se eu fosse um monstro.
E elas estavam certas em me olhar, orando mentalmente alguma coisa provavelmente sobre eu ser uma besta. Eu tinha medo deles, mas eles me temiam; nenhum daqueles vizinhos se aproximou e lamentou por minha perda, nenhum deles sequer me ofereceu um cobertor. Fiquei de joelhos, e, depois de algum tempo o cansaço me atingiu, então me sentei de vez no frio asfalto, observando as chamas engolirem o meu lar, lenta e vorazmente.
Ao fim da rua, pude observar uma van branca aproximando-se, com uma aguda sirene irritante. Eles não poderiam salvar meu pai, ele estava morto, não estava? Me pus de pé e eles pararam a alguns metros da casa, e de lá desceram homens de branco que pareciam procurar alguém, porém, ao pousarem os olhares em mim, aqueles olhos brilharam num brilho lunático, pior do que o de qualquer insano que poderia existir.

...

Não sei o que eu poderia fazer. Não sabia como usar os meus poderes, nem como me defender, apenas sei que me agitei, gritei e todos da rua aglomeravam-se numa multidão incessante, o burburinho reverberava e me fazia querer matar um por um daquela rua desgraçada.
Fui acorrentado num maca naquela maldita van, e segundo uma rápida conversa os médicos foram avisados e contatados pelos moradores que viram eu nitidamente ateando fogo em meu pai. Lógico, não ateei fogo nele, eu provoquei as chamas por acidente, porém, não me surpreendia isto, algo em mim atraía todos para o mal, as pessoas perto de mim ficavam incomodadas, passavam mal e consequentemente, reclamavam de minha presença bizarra e aterrorizante. Pelo contrário, aqueles médicos pareciam se divertir em me ver sedado numa maca indo para uma clínica.
Sentia meus olhos arderem, chorava pouco, mas tentava disfarçar, fechando os olhos e apenas tentando dormir. O sedativo fez efeito e eu emergi num sonho imaculado que nunca consegui recordar. Ao abrir os olhos, tudo foi convertido de forma desastrosa. Era um portão negro de ferro, uma estrada de britas nos levava a um imenso portão duplo marrom escuro, que abriu-se e dele saíram enfermeiras de branco alvoroçadas. Não tentei lutar, era maturo permanecer ali e esperar a morte ou então procurá-la mais tarde, não era?
O sedativo era forte, principalmente por eu estar fraco depois do trauma, então não lembro-me de quase nada. Apenas branco, piso quadrado e feio, água sob meu corpo, uma mão boba e então... esquece. Lembro-me de um padre atrevido chamado Connor, porém não quero falar... não agora.


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