Diário de Gustavo Stajnko

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Diário de Gustavo Stajnko

Mensagem por Gustavo Katzmann em 21.08.14 20:57




Diário de Gustavo Stajnko

Introdução


Aqui começa o diário de um menino que cresceu e virou um gato. Contarei um pouco de minha história de vida nestes escritos.




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Gustavo Katzmann
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Re: Diário de Gustavo Stajnko

Mensagem por Gustavo Katzmann em 22.08.14 16:41




Capítulo 1

O dia em que descobri meus poderes


São Paulo, 17 de Maio de 2012, 23:56;

Já me preparava para dormir, havia sido um dia bastante cansativo, e o dia seguinte prometia ser pior, pois estava chegando a primeira semana de provas. Ao longo dessa semana, senti algumas náuseas fortes, e senti muitas dores de cabeça, além de algumas dores corporais.

Durante meu sono, tive um sonho estranhíssimo. Sonhei que estava ao redor de várias pessoas, e estava amarrado a uma cadeira. Todos que ali estavam eram estranhos, seus olhos brilhavam, não pareciam com humanos... Pareciam animais. De repente, alguém chegava na minha frente, falava algumas coisas com uma voz rosnada, e me aplicava um forte golpe na cabeça. Com o golpe, eu começava a pender para o lado, e via todas as pessoas se aproximando de mim, até que começava a cair, e cair, e cair... Cair infinitamente.

No sonho, quando voltava a mim, já estava noutro lugar. Era uma espécie de jaula, mas só tinha grades na frente. O teto era razoavelmente alto, mas eu não conseguia me levantar. Na minha frente, haviam duas tigelas, uma com uma estranha gororoba, a outra tinha apenas água. Eu sentia minha garganta completamente seca, e um pouco de fome. Tentava gritar por socorro, mas minha voz não saía. A única coisa que eu podia ouvir eram rosnados, que pareciam estar muito perto de mim. Fui até a vasilha com água, mas tomei um grande susto ao ver meu reflexo na água. Não vi meu rosto, vi o rosto de um tigre. Na hora, o susto foi grande, e só piorou quando olhei para minhas mãos, e não as vi. Eram patas, grandes patas. Olhei para o lado, e vi que uma das paredes havia se tornado um espelho, e não me vi nele. Vi apenas um tigre.

Acordei assustado, e me dei conta de que tudo havia sido apenas um sonho. Me levantei, e vi que não estava deitado em minha cama. Estava no chão, descoberto. Olhei para o relógio, marcava 05:45, porém estava adiantado uns 15 ou 20 minutos. Mas... Não havia acendido a luz. Não deveria ser possível eu ter visto a hora, tudo estava escuro.

"Ah, já acordei mesmo... Hora de começar o dia" - pensei, me levantando do chão.

Ao me levantar, constatei que o quarto estava uma bagunça. Olhei para minha cama, e me assustei com o que vi: ela estava totalmente destruída. Haviam marcas de garras espalhadas por ela, e alguns restos de algodão jogados pelo chão. Meu cobertor também estava destruído, havia virado uma pilha de retalhos.

Assustado, saí do quarto e fui até o banheiro. Ali, fiz minhas necessidades, lavei minhas mãos e lavei meu rosto, pra poder acordar. Ao olhar no espelho, tornei a me assustar. Meus olhos, originalmente castanhos, estavam verdes. Pareciam olhos de gato.

"O que está acontecendo comigo?" - pensei, levando uma das mãos aos olhos, e os analisando.

O susto foi demais, resolvi não ir trabalhar no dia. Estava com medo, e ainda estava me sentindo mal. As náuseas e as dores de cabeça e corporais continuavam mais fortes do que nunca.

Durante todo o dia, continuava a sentir dores, chegando a me contorcer algumas vezes. Aquilo era insuportável. Sem contar que ainda continuava sem entender a mudança nos olhos. Algo estava acontecendo comigo, e várias coisas naquele momento se passavam por minha cabeça.

Já se passavam das 22:00, e liguei a TV. Estava passando o programa esportivo. No meio da transmissão, no entanto, um reporte jornalístico informava ataques de mutantes na região do ABC.

Foi neste momento que um estalo surgiu em minha mente. Seria eu um mutante? Em minhas aulas, sempre gostava de dar um pouco de ênfase na relação histórica entre humanos e mutantes. Sempre pregando o que penso, que todos somos iguais, independente do que somos, ou do que podemos fazer. E agora... Eu seria o maior exemplo disso. Mas o mundo ainda é muito preconceituoso para com mutantes. Embora eu ache que boa parte destes são privilegiados, por possuírem uma forma especial de defender as pessoas.

No entanto, não pude pensar muito nisso. Senti um aumento no pico de dores, e soltei um forte urro. Uma pelagem amarelada, com manchas marrons, começou a crescer por todo meu corpo. Meu crânio começou a se estender, e a tomar um formato de uma cabeça de gato. Minha dentição se alterou, meus pés e mãos mudavam lentamente para patas, uma comprida cauda surge. Depois disso, não sei o que mais ocorreu. Parece que perdi minha consciência humana, não sei. O pouco que me lembro é correr durante a noite.

Três dias depois, me vi no meio de uma floresta, que eu sequer sabia onde era. Não estava como humano, ainda era um guepardo. Tentei voltar ao normal, mas não conseguia. Apenas depois de quase uma hora, consegui voltar a minha forma humana. Estava nu, perdido, no meio da floresta, tendo olhos de gato.

"E agora?" - pensei na hora, assustado. Já não sabia mais o que era. Só tinha uma certeza: daquele momento em diante, eu sabia que minha vida jamais seria a mesma coisa. Mas uma coisa que me encucava na hora era pensar num jeito de voltar pra casa...




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Re: Diário de Gustavo Stajnko

Mensagem por Gustavo Katzmann em 24.08.14 23:27




Capítulo 2

Quando contei para meus pais sobre os poderes

São Paulo, 7 de Outubro de 2012, 09:31;

Já haviam se passado quase cinco meses desde que meus poderes despertaram. Foram os meses mais conturbados de minha vida. Nem na época de fazer meu TCC foi tão assim. Foram dias e mais dias sem conseguir voltar à forma humana, constantes transformações involuntárias, móveis destruídos, constantes faltas no serviço... Quase perdi meu emprego por causa disso. Ao menos as dores que eu sentia praticamente desde pequeno haviam cessado.

No entanto, há quase um mês, consegui assumir o controle dos poderes. Já conseguia me transformar e voltar ao normal por vontade própria. E já estava me acostumando a ouvir e cheirar mais, e a enxergar no escuro. Até estava gostando, por sinal. Era algo especial pra mim. O único problema eram as bolas de pelos... Preciso me adaptar a isso ainda.

Hoje, um dia chuvoso e fechado, era dia das eleições municipais, e, embora eu já morasse em São Paulo há quase 4 anos, meu título de eleitor ainda estava sediado em Jandira. E eu não transferia o título apenas por comodidade, pois também era só mais um pretexto para visitar meus pais. Já não os visitava desde um pouco antes de meus poderes eclodirem. Eu tinha muita coisa a contar... Principalmente sobre os poderes. Embora ainda não estivesse pronto, era necessário. Até conseguiria esconder da sociedade, mas não iria conseguir esconder isso de meus pais.

Me troquei rapidamente, coloquei óculos escuros no rosto, e corri para a estação. Precisava pegar o trem rápido, se quisesse passar bastante tempo em casa. Na viagem, fui ouvindo clássicos do rock nos fones, como Kiss, Guns 'n Roses, Led Zeppelin, etc., até mesmo os rocks nacionais, como Legião Urbana, Titãs, etc.

Logo que cheguei em Jandira, já às 10:00 da manhã, corri até minha sessão para votar. Deixando meu voto nulo por lá, parti até a casa de meus pais, fazer uma visita surpresa, e ir ao encontro deles.

Cheguei lá, bati à porta, fui recebido por minha mãe, que logo correu pra me abraçar. Meu pai se levantou do sofá, e veio até mim logo em sequência.

- Nossa filho, há quanto tempo. Por que você sumiu? - disse minha mãe, entre abraços e beijos.

- É mãe, tava complicado lá na escola, muitas provas, muita coisa pendente... - respondi.

- E aí, filhão... - disse meu pai, me abraçando também, com um forte sotaque esloveno - Vamos entrando... Mas por que está de óculos escuros? Nem tá tão calor hoje...

- Opa pai, quanto tempo! - respondi, já entrando na casa - Sobre os óculos escuros... É que estou com a alergia atacada, meus olhos estão um pouco inchados.

Não podia contar pra eles logo de cara. O baque seria muito grande. E eu ainda não estava pronto para isso. Tanto é que não soltei nenhum sorriso, para evitar mostrar meus dentes modificados.

Durante todo o dia, jogamos bastante conversa fora, falamos sobre as eleições, até que os dois se lembraram de que ainda não haviam votado. Isso já era quase 3 horas da tarde. Resultado: saímos correndo até a sessão em que os dois votavam.

"Nota mental: nas próximas eleições, perguntar logo de cara se os dois já votaram" - pensei, durante a caminhada.

Pouco tempo depois, estávamos na escola, e os dois entraram no lugar para votar. Eu fiquei do lado de fora esperando. A escola não estava assim tão cheia, eles seriam rápidos. E até que foram. Cerca de 10 minutos depois, já estavam de volta.

No caminho de volta, os dois conversavam sobre em quem tinham votado, e eu apenas escutava, olhando para os lados. Numa das ruas, porém, vimos um homem armado assaltando uma senhorinha.

- Gente, vamos mudar de rua... - disse minha mãe.

- Mas, mãe... Aquela senhorinha corre perigo! - expressei-me na hora.

- Escuta sua mãe, é melhor pra gente... - manifestou-se meu pai.

Não respondi a nenhum dos dois. A única coisa que fiz, na hora, foi olhar firmemente para eles, respirar fundo e retirar meus óculos, revelando meus olhos de gato.

- Gustavo... Seus olhos... - meus pais estavam chocados, mal conseguiam falar. Minha mãe apenas havia balbuciado isso.

- Mãe... Pai... Isso é uma coisa que eu queria contar para vocês... Assistam pra ver. - sorri, revelando minhas presas e corri.

No meio da corrida, iniciei minha transformação em leão, e corri contra o bandido, saltando em cima dele, o derrubando no chão. A arma do mesmo havia voado longe, e ele olhava para mim, assustado. Com um rugido, lhe apliquei um forte arranhão no peito, rasgando sua camiseta e lhe deixando marcado. Assustadíssimo, ele saiu correndo, deixando o produto do roubo no chão. A senhorinha tinha visto minha transformação, e até estava assustada, mas chegou próxima a mim, e começou a me acariciar. Eu, como não sou bobo, deixei ela realizar a carícia, antes de voltar ao ponto onde minhas roupas haviam ficado.

Voltando àquele ponto, retornei à minha forma humana, e rapidamente vesti minhas roupas. Meus pais estavam atônitos.

- Então... Era sobre isso que eu queria falar.

Diferente da reação que eu esperava, eles estavam sorrindo. Os dois correram para me abraçar.

- Nossa, achei que vocês iam rejeitar, e tudo mais... Estava com medo.

- Em casa a gente explica direitinho, Gustavo... Mas jamais rejeitaríamos você. Você é nosso filho, moleque. Se esqueceu de que também pregamos a igualdade entre todos? - disse meu pai.

Fomos então para casa, com meus pais me perguntando várias coisas, como o dia que surgiram, o que precedeu, etc.

Já em casa, meu pai começou a me contar tudo o que sabia. Escutava tudo o que ele falava, estupefato, enquanto minha mãe apenas concordava com a cabeça.

- Então, como posso começar... Quando você era um bebê, lá pros seus 10 meses de idade, você agia estranhamente. Parecia um filhote de gato. Literalmente. Direto a gente via você se lambendo, ou brincando com coisas estranhas. Sua mãe logo disse que aquilo não se tratava de nenhuma doença conhecida, então te levamos numa amiga psicóloga dela. Ela também disse que não sabia o que poderia ser, mas levantou a tese de que você poderia ser um mutante. Te levamos então num amigo meu, geneticista, e ele confirmou o que a psicóloga havia dito: Você era um mutante. Na hora, a gente sentiu um misto entre orgulho e medo. Orgulho de que nosso filho poderia ajudar as pessoas um dia, e medo do que ele poderia se tornar. O geneticista nos disse que o gene havia alterado seu DNA, e feito com que seu código genético se tornasse um misto de humano com felino. Por não saber os efeitos, e por não ter nenhuma forma de barrar o gene X, ele nos disse apenas para esperar e torcer. Pelo jeito, nossa torcida deu certo. Ainda conseguimos te educar de um jeito que você conseguisse evitar agir como um gato, embora afofasse o travesseiro enquanto dormia.

- Bom, isso explica o perfeito conforto das noites de dormir. Mas por que vocês nunca me contaram isso? E por que eu só fui desenvolver agora?

- Sinceramente? Não sabemos. A única coisa que meu amigo nos disse foi que você iria sempre sentir dores. Mas ele estipulou um prazo pra você desenvolver os poderes, que eles iriam eclodir provavelmente quando você tivesse 15 anos, o que não aconteceu. A gente tinha medo que você virasse... - neste momento, meu pai interrompeu abruptamente a conversa, e olhou para minha mãe, que fez um sinal de reprovação.

- Que eu virasse o quê? - perguntei na hora.

- Você não deve saber algumas coisas ainda, filho. - disse minha mãe.

O ar de mistério ficou no ar depois disso, e a conversa não foi retomada. Ambos desconversaram. Pareciam esconder algo de mim, algo que eu não sabia. Ou que não podia saber...




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Re: Diário de Gustavo Stajnko

Mensagem por Gustavo Katzmann em 29.08.14 15:29




Capítulo 3

A primeira aula de um professor mutante

São Paulo, 28 de Janeiro de 2013, 06:47;

Minha licença médica havia expirado no final de 2012, já era hora de retornar à minha atividade como professor. Meus poderes estão em pleno controle, mas os efeitos colaterais na minha forma humana parecem ser irreversíveis. Isso poderia me gerar problemas, então eu teria que agir de uma forma diferente a de costume. Sem sorrisos, sem encarar pessoas, sem retirar os óculos escuros. Ia ser duro, mas teria que ser assim. Era isso, ou perder meu emprego por causa do preconceito de alguns.

Peguei minhas coisas, trajei meus óculos escuros, e parti em disparada. Já estava atrasado, teria que correr até a escola. Por sorte, um amigo professor, Pedro Larássio, passava de carro perto de casa, e me viu correndo. Me ofereceu uma carona pra escola, e eu aceitei de bom grado.

Consegui chegar à escola a tempo, respirei fundo e desci do carro. Pedro desceu também, e entramos na escola conversando. Ele me perguntou o por que de meu afastamento, tive que inventar que estava com problemas na família por resolver. Não sei se ele caiu nessa, mas isso pouco me importava. Ele me questionou também sobre os óculos escuros, apenas lhe disse que eram por causa da alergia. E assim entramos na escola. Era o primeiro dia de aula, haviam vários alunos novos, e todos nós deveríamos nos apresentar.

Na quadra da escola, todos os alunos se sentaram, formando um pequeno bolinho de pessoas. Eram todos do ensino médio, desde o 1º até o 3º ano. Nós, professores, nos colocamos em fila na frente de todos, e nos apresentamos um a um. Todos falavam seus nomes, o que lecionavam, e o que pensavam sobre o mundo. E era minha vez agora de falar isso. Quando me passaram o microfone, os alunos do 3º ano logo começaram a vibrar bastante, o que me alegrou um pouco. Até sorri... Tampando a boca, mas sorri.

- Olá, galerinha... Meu nome é Gustavo Stajnko, sou professor de história, e... - pensei na hora em falar que eu era mutante, mas não havia nenhum por ali. Bom, nenhum pelo menos com poderes ativos. Alguns alunos vestiam camisetas estampadas com imagens de super heróis de quadrinhos, outros da vida real. Mas era complicado. Eu ficaria com medo de ter um professor mutante, confesso. - ...e eu espero que vocês gostem daqui, principalmente os novatos. Qualquer coisa, a gente se tromba nos corredores.

Não era o momento certo de me revelar como mutante. Só iria ser rejeitado, talvez até demitido, como já vi vários casos reportados por jornais que passam no fim de tarde e no início da noite. Mas a comoção popular sempre era conquistada pelos discriminados. De qualquer jeito, eu não poderia me expor daquele jeito.

Logo, parti para minha primeira aula do dia. Era aula para a turma do 3º D. Ano passado, eram uma turma muito eficiente, ao menos em minhas aulas. Logo que entrei na sala, notei alguns rostos novos, que já tinha visto em outras salas, e a ausência de alguns alunos.

- E aí galera, como vocês estão? Sentiram falta de mim? - perguntei, indo para o meio da sala.

- E como, professor... Nossa, a professora Teresa é muito chata, pelamor! - gritou um dos alunos do fundo, puxando risos pela sala.

- Vocês tiveram aula com a Teresa? Ah, gente, ela é mó gente fina... Bom, pelo menos comigo é. Mas... A maioria aqui eu conheço, mas me parece que há alguns novatos. Se apresentem, por favor!

Os novos alunos foram se apresentando um a um, e eu ainda aproveitei para pedir que os antigos se apresentassem também, para que os novatos os conhecessem. Logo notei a ausência de uns 7 alunos.

- Gente, eu percebi que estão faltando alguns... Onde estão o Danilo, a Camila, a Samuela, o Jorge, o Satoru e a Liboria?

- Olha professor, acho que todos ainda estão na escola, só o Jorge que saiu mesmo. Sabe, enquanto você tava afastado, ele virou um mutante e quase matou o inspetor. - uma aluna, Maria Fernanda, me explicou o ocorrido.

Na hora, meu semblante mudou, passei a ficar sério. Questionei exatamente o que aconteceu, e um outro aluno, Flávio, um que já havia tido problemas anteriormente por causa de sua forma de pensar, contou em detalhes o ocorrido.

- Então professor, foi assim: A gente tinha acabado de sair pro intervalo, e descemos para o pátio. O Jorge tava muito estranho naqueles dias, agindo diferente, ficando mais reservado, e tal. Do nada, de repente, ele soltou um grito, e começou a formar uns ventos sinistros dentro da escola. O inspetor tentou impedi-lo, aí foi jogado longe e bateu a cabeça. Olha, se a polícia não tivesse vindo, o Jorge poderia causar um estrago maior. É por isso que eu acho que os mutantes deveriam ser banidos... Não sei como você os defende, professor.

Na hora, fiquei nervoso. O encarei friamente, ele estava rindo. Senti o lado felino começar a crescer em minha mente, então me acalmei, me sentei na cadeira e comecei a fazer a chamada.

Durante a chamada, uma das respostas me chamou a atenção, por causa do tom de voz: Um dos alunos novos, que se identificou como Leandro, respondeu com a voz um pouco tremida. Comecei a observar suas atitudes, enquanto continuava a conversar com os alunos e colocava meu plano anual na lousa. Era o primeiro dia de aula, servia apenas para apresentações.

O tempo passou rápido, o sinal tocou, e eu já devia ir para outra sala. Dei uma última observada no Leandro, e saí, indo para outra sala. Mas eu sentia que iria acabar voltando no 3º D...

No meio da segunda aula, um forte estrondo abalou toda a escola. Todos saíram de suas salas, inclusive eu. Logo, vi a porta do 3º D aberta, e alguns alunos saíam correndo, vários estavam sangrando. Corri até lá, e, ao entrar na sala, me assustei mais ainda: a professora Luzia - uma amiga - estava desmaiada no canto da sala, haviam algumas mesas caídas em cima desta. Alguns alunos se protegiam atrás de mesas, e Leandro estava no centro, da sala, cercando um aluno. Sua forma era aterrorizante, ele estava como um lobo antropozoomórfico.

Tentei entrar na sala, mas senti o professor Pedro me segurando.

- Pirou, Gustavo? Você pode acabar morrendo! Deixa que eu vou! - gritou Pedro.

Respirei fundo, e olhei para Pedro. Não podia mais me esconder atrás dos óculos, ou atrás da pose de professor comum. Joguei os óculos longe, e Pedro se assustou ao ver meus olhos.

- Gustavo... O que... O que houve com você?

- Foi por isso que eu me afastei, Pedro. Agora eu conto com você! Vai lá e resgate a Luzia e quem mais você conseguir, eu dou um jeito no Leandro.

Pedro continuava me segurando, mas abriu um sorriso no rosto. Seu semblante parecia animado, ele me largou e começou a falar.

- Espera, Gustavo... Eu sei bem como é isso, me escondi faz muito tempo também. - naquele momento, as mãos de Pedro começaram a pegar fogo. - Vamos dizer que eu também sou um...

Sorri de volta para Pedro, quando o vi daquele jeito, e nós dois entramos na sala. Enquanto Pedro queimava as carteiras que prendiam Luzia, eu chamava a atenção de Leandro.

- Leandro, pare! Não quero te machucar, fio! - gritei, já retirando minha calça e minha camisa, ficando apenas de cueca. O garoto mutante me ignorou, e avançou contra mim. Na hora, iniciei uma transformação, me tornando um Tigre. Pedro olhou minha atividade, e deu um sorriso. Ele já sabia o que fazer também.

Meu parceiro logo conseguiu resgatar a professora, e a levou para fora da sala. Alguns chegavam para ajudar, mas Pedro os barrava.

- Rápido, levem ela pra um hospital! Deixa que eu to controlando a situação.

Dentro da sala, iniciei um combate contra meu aluno. Mas era mais um combate defensivo, não pretendia o machucar. Infelizmente, a recíproca não era verdadeira. Na primeira oportunidade, Leandro me arranhou na barriga, e soltei um rugido de dor. Na hora, saltei contra o garoto, o imobilizando no chão. Pedro retornara à sala, indicando para os outros alunos correrem da sala. Logo, ele foi para junto de mim, e começou a falar.

- Leandro, sai dessa! Você consegue se controlar! - gritava Pedro. O garoto era forte, e eu precisava aumentar a força, o segurava firme.

De repente, o garoto se acalmou, começou a gradualmente voltar à forma humana. Ele gritava socorro. Para o ajudar, voltei também à minha forma humana, e o soltei. Corri para vestir minhas roupas, e ele continuava a voltar ao normal. O encarei novamente, e ele já estava como humano.

- O... O que aconteceu? - perguntava Leandro, atordoado, vendo a bagunça na sala e suas roupas rasgadas.

- Agora está tudo bem. Está tudo bem. - lhe disse, o levantando e o levando para fora da sala. No caminho, peguei meus óculos escuros, e os coloquei no rosto. Pedro foi comigo, e levamos o garoto para longe dali. - Não precisam se preocupar, já está resolvido - disse, barrando a aproximação dos outros funcionários da escola.

Já do lado de fora, levamos o garoto até um ponto mais afastado da escola. Ele estava assustado demais.

- Leandro, preciso que você me responda a essa pergunta: Você sabia que podia virar isso? - perguntei. Leandro olhava para os lados, ainda assustado, e olhava para Pedro.

- Não precisa ter medo, Leandro. Veja... - Pedro incendiava suas mãos - Nós somos como você. - Pedro sorria para o garoto. Eu fui na onda dele, e retirei meus óculos, olhando para o garoto.

- Leandro, fica tranquilo, você tá entre amigos.

Mais tranquilo, ele acenou positivamente com a cabeça, dizendo que já sabia. Ele nos contou que conseguia controlar tranquilamente e se manter humano, mas estava passando por muito estresse nos últimos dias, e acabou se descontrolando.

- Leandro, você quer ajuda? Se quiser, podemos pedir pra te colocarem um bracelete inibidor. - perguntei. Ele poderia acabar ferindo alguém, como Jorge havia feito no ano passado.

- Não professor, acho melhor eu sair da escola, sou um perigo para as outras pessoas, para meus colegas, e para a professora... Ai não, e a professora? Ela tá bem? - Leandro ainda estava desesperado, ele chorava bastante.

- Ela está bem, só está com dor de cabeça. Não se machucou. - disse Pedro.

- Eu... Eu tenho que sair. Eu tenho que ir. - Leandro saiu correndo, usando seus poderes. Até tentei ir atrás dele, mas Pedro me impediu.

- Deixe-o ir. Depois vou atrás dele - disse Pedro. Tentei resistir, mas concordei. - Então... Você vira um tigre, é? - Pedro começou a rir, eu respondi com um sorriso de canto de boca.

- Até agora, sei que viro quatro tipos de felinos. E você, hein? Pode fazer um churras sem carvão... - comecei a rir também. Mas era mais um sorriso de alívio. Coloquei meus óculos, e nós dois retornamos à escola. Fomos testemunhas do ocorrido, e ainda precisávamos inventar, fingir que Leandro havia fugido, e que nós não pudemos fazer nada.

A partir deste primeiro dia de aula, soube que tinha alguém como eu na escola. Alguém que também era um mutante. Alguém que também sofreria preconceitos de outros. E eu acho que ninguém descobriu que nós temos poderes... Espero que os alunos não tenham percebido algo. Se bem que... Aquele vulto saíndo de detrás de um carro me parecia familiar, se parecia com o diretor da escola...




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Re: Diário de Gustavo Stajnko

Mensagem por Gustavo Katzmann em 02.09.14 20:13




Capítulo 4

Perda do controle

Guaratinguetá, 11 de Abril de 2013, 20:10;

Estava jogado no chão, levava uma das mãos à frente dos olhos, via 3 pessoas me cercando, segurando porretes. Uma delas portava um soco inglês. Apenas ouvia uma frase de um deles, enquanto recebia chutes.

- Você sempre foi um fraco, Gustavo. Seu lixo humano.

Mas como isso aconteceu? Como fui parar nisso? Preciso retornar algumas horas no dia, voltar pro período da tarde, um pouco antes das seis.

Era 17:25, estávamos saindo de uma escola da cidade alguns colegas de faculdade e eu. Conversávamos muito sobre a palestra que havíamos acabado de dar naquela escola, para incentivar os alunos de lá a seguirem para a faculdade. Já também não nos víamos há quase um ano, quando fizemos a palestra em São José do Rio Preto. Éramos em três pessoas, eu, meu colega Felipe e minha colega Jéssica.

- Então Gustavo, que que cê tá fazendo agora? - perguntou Felipe para mim. Ele havia se formado no mesmo ano que eu, mas em Geografia.

- Velho, eu to dando aula lá em São Paulo. E você, que que tá fazendo da vida? - respondi, já emendando a pergunta.

- To trabalhando no IBGE agora. E você, Jéssica? - perguntou Felipe à Jéssica. Ela estudava ciência política no mesmo período que nós, mas se formou um ano depois.

- Se esqueceu? Sou vereadora no Guarujá. - respondeu Jéssica, olhando para o relógio - Falando em Guarujá... Já estamos atrasados, o ônibus vai partir sem a gente. Vamos para a rodoviária?

Olhei para os lados, vi Felipe acenando positivamente com a cabeça. Eu não queria ir agora, já tinha planos de conhecer a cidade, para depois voltar à São Paulo.

- Podem ir vocês dois, eu vou dar uma volta pela cidade, aí se for o caso pego outro ônibus pra São Paulo.

Os dois concordaram, e me despedi deles, indo na direção do centro da cidade. Ali, fiquei rodando por um bom tempo, até ir para uma lanchonete. O relógio já marcava 19:45, e logo eu já iria até a rodoviária, pegar o ônibus para voltar á São Paulo. Eram 175 km de distância, mais ou menos umas três ou quatro horas de ônibus, então era melhor eu comer bem, para aguentar a viagem. Poderia voltar correndo para São Paulo, como um animal, mas isso poderia me cansar muito e me custar mais tempo.

Enquanto eu comia a quinta esfirra de carne, pra saciar minha fome de leão, um grupo de três pessoas se aproximou. Eu reconhecia eles, eram o grupinho mais folgado da 7ª Série. Eu sempre os detestei, já havia brigado algumas vezes com eles, e levado a pior em todas.

- Ora, ora, vejam só quem apareceu por aqui... - disse um deles.

- Não é aquele magricelinha retardado que tentava peitar a gente na 7ª série? - outro retrucou. Apenas os encarei de canto de olho, e voltei a comer minha esfirra, que já estava no final. Ajeitei os óculos escuros no rosto, e continuei a mastigar.

- Era Gustavo o nome dele, né? Acho que sim... Olha, tá musculoso agora hein? Não é mais o magricelinha, agora é o fortinho... - o terceiro começou a me cutucar, eu continuei a ignorar.

De repente, um deles me deu um tapa no braço, na hora me levantei.

- Vocês maricas não tem nada melhor pra fazer não? - paguei a conta, e me retirei, colocando a mão nos bolsos e deixando o trio falando sozinho.

Já caminhava na direção da rodoviária, quando escutei alguns burburinhos atrás de mim. Continuei andando, e os burburinhos ficavam cada vez mais altos. Senti um cheiro familiar, e que não me agradava. Olhei para trás, lá estava o trio me seguindo. Eles seguravam porretes, e um deles tinha algo brilhante numa das mãos.

Comecei a correr, eles começaram a correr atrás de mim. Pensei em usar meus poderes, mas não valia a pena jogar minha identidade fora para fugir disso. Só usaria se fosse necessário. Mal imaginava eu que seria necessário...

Já corria deles há quase 15 minutos, já era 20:10, então virei à esquerda numa rua, acabei indo parar num beco. Tentei voltar atrás, mas fui cercado. Encarava eles acuado, ia me afastando um pouco, até que senti o muro atrás de mim. De repente, um deles me aplicou uma rasteira, me derrubando no chão. Tentei me levantar, mas recebi um chute no estômago, caindo tossindo.

- Fraco... Como conseguiu esses músculos? Com esteroides? - ele ria bastante. Eu tentava me levantar, mas toda hora era derrubado. Os três já preparavam para usar os porretes, consegui identificar o soco inglês na mão de um deles. E ouvi uma frase terrível... Uma frase que mexeu com minha cabeça.

- Você sempre foi um fraco, Gustavo. Seu lixo humano.

Uma série de lembranças começaram a bombardear minha mente. Os constantes socos, as brigas, as manchas roxas no corpo, todo o sofrimento que esse trio me fez passar na 7ª Série. De repente, comecei a sentir uma grande raiva. Uma raiva que nunca havia sentido. Me levantei, ainda com dor, e retirei meus óculos, os colocando de lado. Olhei fixamente para eles, eles pareciam assustados. Meus olhos brilhavam num tom verde, por causa da visão noturna. Eles se afastavam um pouco. Eu tremia muito, e urrava. Era um urro que mais soava como um rugido.

- Ele é um mutante! Por que você não nos falou isso, cara? - um deles gritava com outro.

Iniciei rapidamente uma meia-transformação, rapidamente eu estava como um ser híbrido entre humano e tigre. Eles estavam assustados, tremendo bastante. Com minhas garras, cortei os três porretes. Por sorte, eram de uma madeira bastante fraca. Um deles tentou me atacar, lhe dei um arranhão no peito, lhe tirando bastante sangue e lhe rasgando a camiseta. Ataquei os outros dois, mas um deles conseguiu escapar. Os outros dois estavam em minhas garras. Rosnava bastante, e sorria, atacando o que estava desarmado. Rapidamente, lhe causei uma série de arranhões no rosto e no corpo, rasguei suas roupas completamente, além de lhe deixar uma forte marca na perna.

- Isso é por tudo o que vocês me fizeram! - gritava, com a voz bastante rosnada.

O que tinha um soco inglês me atacou, me socando no rosto e me derrubando. A partir daí, senti a parte felina tomar minha mente, e me vi transformar-me na forma completa de tigre. Depois disso, não me lembro de mais nada.

Quando voltei a mim, ainda estava no mesmo beco, na forma completa de tigre. Minhas roupas estavam rasgadas. Voltei à forma híbrida, e olhei ao redor. Vi um dos três assustadíssimo, e o outro, que estava com o soco inglês, estava morto. Minha boca estava suja de sangue, assim como minhas patas.

- O... O que eu fiz? - olhava para minhas mãos.

Comecei a correr dali, estava nu, embora na forma híbrida. Virei um tigre completo, e corri para o meio do mato. Ali, voltei à forma híbrida de tigre, e fiquei observando minhas garras. Elas estavam sujas de sangue. Eu sentia uma grande sede por sangue, e sentia minha natureza felídea crescer cada vez mais dentro de mim. Nunca havia sentido aquilo.

Me deitei em posição fetal, e chorei um pouco, ali no meio do mato. Ainda não estava pronto para retornar à São Paulo. Precisava pensar muito. Eu nunca havia perdido o controle desde que descobri meus poderes. Comecei a lamber meu braço, até perceber o que estava fazendo, o que me desesperou um pouco mais. Ali, naquele lugar, naquele momento, uma série de dúvidas pairavam na minha cabeça: O que eu era? Um humano ou um animal? A que ponto a mutação chegaria? Quem mais eu poderia ferir? Era seguro eu viver no meio de todos, tendo três animais perigosos dentro de mim?

Me lembrei da conversa que tive com meus pais, do momento em que eles não queriam me contar algo. Será que era algo relacionado ao controle? O que eles queriam me dizer? Naquele momento, eu apenas pensava nisso, além de chorar e chorar, e lamber minhas patas. O equilíbrio mental estava ficando difícil de ser mantido.




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Re: Diário de Gustavo Stajnko

Mensagem por Gustavo Katzmann em 20.09.14 0:34




Capítulo 5

Busca por Tratamento

São Paulo, 25 de Maio de 2013, 17:44;

Estava refletindo nesta tarde chuvosa sobre minha vida. Tinha acabado de matar mais uma pessoa. Dessa vez, estava indo comprar pão, quando fui parado por um bandido numa bicicleta. Na mesma hora, eu apaguei. Ou melhor, meu eu humano apagou. Acordei virado num leão, com as patas sujas de sangue.

No quarto, sentado na minha cama, olhava as patas híbridas sujas. As mortes que causei, as recorrentes perdas de controle, os desequilíbrios mentais... Estava difícil conciliar o eu felino com o eu humano. E o felino estava vencendo. Os instintos felídeos pareciam querer tomar conta a todo momento. Me sentia encurralado. Era eu contra quatro animais, ao mesmo tempo que eu era todos esses animais. As vezes os pensamentos eram eu como animal vendo meu eu humano se afastar... Sem contar o desejo crescente por coisas que, como posso dizer... Não são coisas de humanos fazer. Já estou comendo quase 2 quilos de carne por dia, e não consigo dormir sem ativar uma de minhas formas.

Resolvi então buscar tratamento pela internet. Vi vários sites falando sobre mutantes, boa parte eram de auto-ajuda, alguns sites redirecionavam a vírus ou a golpistas... Até que um dos sites me impressionou um pouco. Falava sobre uma "Academia X", ao menos foi o que o Google Tradutor me traduziu. Parecia ser um projeto bastante interessante, mas para isso eu precisaria me mudar para os EUA, precisaria saber inglês... Descartei o site. Mas outro endereço surgiu, um tal de "H.A.M.". Na descrição, se identificavam como um grupo de humanos benevolentes que forneciam tratamentos para mutantes.

- Ótimo. Eles podem me ajudar... - disse, empunhando meu celular e já ligando rapidamente para eles. Fui muito bem atendido, e marquei um dia para ir até lá. O local ficava próximo de casa, seria fácil chegar até lá. Sorri satisfeito, e fiquei ansioso, à espera do dia chegar. Seria dali a 3 dias.


Três dias depois, lá estava eu, na frente do endereço indicado. Era de noite, a rua ali era bastante deserta, mas eu não me importava muito com isso. O local era enorme, parecia mais um galpão abandonado. Não havia identificação alguma, o que já me causou estranhamento. Mas, quando se está desesperado, você não para pra pensar que tudo aquilo podia ser uma forte enganação. Infelizmente, eu não pensei nisso. Fui entrando no galpão, ao azar.

Por dentro, o lugar era sinistro. Estava tudo escuro mas eu, como um bom gato, enxergava relativamente bem. Haviam vários equipamentos e salas, mas não haviam tantas pessoas assim. Onde estariam, afinal?

De repente, a porta do galpão se fechou sozinha. O estrondo ecoou em meus ouvidos, me trazendo a reação natural de me virar bruscamente. As luzes se acenderam, eu estava diante de um corredor bastante comprido. As salas todas eram fechadas e escuras, haviam pessoas lá dentro. Continuei a caminhar, até que vi alguém batendo numa das portas da sala, caindo logo em sequência.

- Mas o que que é isso, meu... - indaguei na hora. Fui até a porta, tentei girar a maçaneta, mas senti um choque na mão. Na hora, uma voz começou a ecoar pelo corredor.

- Então... Você é Gustavo Stajnko, certo?

Olhei para o lado em que a voz estava vindo, havia um rapaz parado, segurando uma prancheta e rabiscando algo.

- Sim, sou eu mesmo. Mas o que tá acontecendo com esse cara aqui? - perguntei na hora, apontando para a porta da sala.

- Esse aí? Bom... - o rapaz gaguejava, parecia esconder algo - Ele é um mutante em recuperação. É um vilão.

Aquilo não me convenceu, mas naquele momento meu desespero por tratamento era maior que qualquer pensamento racional. O rapaz fez um sinal de mãos, me pedindo para segui-lo, e começou a me apresentar todo o lugar. Ele gaguejava bastante, parecia estar bastante nervoso, e eu apenas observava suas atitudes. As instalações eram assustadoras, pareciam coisa de filme.

Num certo local, haviam duas pessoas, um homem e uma mulher, portando armas. O rapaz que me apresentava todo o lugar parou, se virou pra mim e me disse apenas uma frase:

- Ponto final, vamos começar a contenção.

Não tive tempo de reação. Os dois que estavam com armas atiraram contra mim. Eram armas de choque. Fui rapidamente levado ao chão, e amarrado. Antes de ser desacordado com um chute, ouvi outra frase vinda do rapaz.

- Mutante maldito.


Quando acordei, estava numa sala fechada. Estava seminu, amarrado a uma maca, rodeado por uma série de pessoas. Fazia força e tentava me contorcer, mas nada adiantava. Senti uma série de eletrodos presos em meu corpo. Olhei para os lados, vi alguns equipamentos, e me desesperei mais ainda.

- Ele acordou, podem começar os testes. Vamos ver como funciona esse tipo de poder... Metamorfismo Felídeo, né? Ótimo. Há anos que não temos um gato aqui...

De repente, pulsos elétricos começaram a ser descarregados em meu corpo. Eu urrava de dor, mas o urro ia aos poucos virando um rugido. Quando me dava conta, eles estavam me forçando a mudar de formas, me fazendo virar um tigre de primeira, depois um guepardo, então um leão, depois voltando para a forma de tigre. Isso era constante, acontecia direto, e me incomodava demais. Eu sentia que, a cada transformação, ia perdendo um pouco mais de minha humanidade. Não estavam me ajudando, estavam apenas piorando a situação!

Num certo momento, os testes cessaram. Eu estava exausto, não conseguia mover um músculo. Fui forçado a virar um gato, e um dos presentes na sala me pegou pela parte de trás do pescoço, me levando até uma salinha. Nesta sala, ele me jogou com tudo e fechou a porta. Me levantei lentamente, tentei virar humano, mas apenas consegui me tornar um híbrido. Me ajoelhei, levando minhas mãos/patas aos joelhos e olhando para baixo. Ali eu fiquei, calado, parado. Estava muito cansado para agir, então apenas me deitei. Meu lado humano estava bastante desgastado, o lado felino crescia demais.

Um barulho me chamou a atenção, de repente. Olhei para o teto, vi uma série de objetos descendo deste. Eu já tinha os visto na televisão, eram equipamentos utilizados para treinar... Gatos. Um aroma começou a cobrir toda a sala, um cheiro conhecido meu... Carne. Pude ouvir uma voz vinda da parede do lado de fora.

- Vamos fazer esse mutante se esquecer que é mutante. Depois damos um jeito nele.

Tentei reagir, mas a sala realmente estava me causando um efeito contrário. Comecei a sentir vontade de saltar contra aqueles objetos, e o cheiro de carne me atiçava mais ainda. Aos poucos, ia ficando cada vez com menos vontade de lutar contra aquilo, de me aceitar como um felídeo. Sentava igual a um gato, observava tudo aquilo curioso. Um prato era jogado na sala, continha... Ração!? E eu ainda fui atiçado a ir lá, cheirar aquilo... Comer. Estavam acabando comigo pegando meu ponto fraco: O equilíbrio mental.

Foi aí que comecei a me lembrar de tudo o que consegui como um humano. Uma força surgiu dentro de mim, consegui lutar contra aquilo. Virei um híbrido de tigre, avancei contra a porta, consegui a destruir com minhas garras. Um alarme começou a soar, algumas pessoas surgiram com suas armas de choque. Peguei alguns restos da porta, e os joguei contra os guardinhas, atingindo um deles. Outro me atingiu com um disparo, me derrubando por alguns segundos. Me estiquei no chão, empunhei a arma do que eu havia atingido e eletrocutei outros dois que estavam próximos. Me levantei e pensei na hora em fugir, mas haviam outros como eu no local. Provavelmente, todos haviam sido vitimas daquele golpe.

Virando um gato, passei pelas instalações de um jeito bastante furtivo, enquanto apenas observava os guardas passando. Continuei adentrando o local, até que cheguei numa sala de equipamentos. Parecia ser a área principal do lugar, haviam bastantes câmeras, que gravavam tudo no local. Voltei à forma humana, observava tudo aquilo, buscando algo que pudesse libertar a todos os mutantes ali. Foi quando senti uma nova rajada elétrica, nas costas. Ouvi uma voz conhecida, a do rapaz da prancheta, enquanto estava caído no chão e tentando me levantar.

- Gatinho malvado... Vai ficar de castigo.

- Você não faz ideia de quem ficará de castigo - retruquei, apertando um botão aleatório. Por muita sorte, pressionei o botão que abria as portas.

O homem da prancheta parecia desesperado, ele corria para apertar outros botões. Me aproveitei de sua distração, e desferi contra ele um forte arranhão nas costas, em minha forma híbrida de tigre.

- Você vai aprender a não enganar mais quem tem esperanças de cura. - gritei, o desferindo uma série de golpes. Socos, mordidas, arranhões... Tudo quanto é tipo de ataque possível.

No fim de meu surto de raiva, o cara estava todo arrebentado. Me levantei, puxei ele pelas pernas, o levando até o corredor, ainda na forma híbrida de tigre. Não tinha visto as câmeras, mas os guardas estavam tendo destinos semelhantes.

No corredor, vi vários mutantes parados, olhando para mim e para o rapaz que eu arrastava. Olhei para eles e sorri.

- Deixo ele com vocês. Já me diverti o suficiente.

Dando de ombros, larguei o cara ali e sai do local, andando tranquilamente pelo corredor, arrastando a cauda no chão. Ouvi alguns berros do rapaz, mas ignorei. Ele merecia passar pela dor que fez muitos passarem.

Já do lado de fora do galpão, ia tentando remontar tudo o que havia acabado de acontecer. Tinha acabado de ir contra meus princípios, deixando o cara ser assassinado ali. O ataquei não por defesa, mas sim como se ele fosse uma presa e eu seu predador. Além daquela sala... O que ela estava fazendo comigo era sem igual. Ela simplesmente deturpou mais ainda o equilíbrio. Me tirou mais ainda a vontade de voltar à forma humana. Me deixou com vontade de comer aquela ração novamente. Caminhava misturando uma forma quadrúpede a uma bípede, sentia fome, vontade de caçar. O que fizeram comigo?

Após este estranho dia, o equilíbrio começava a pender mais ainda para o lado felino. Tanto que relembrei isso sentado em posição de gato, me deliciando com um pacote de whiskas sachê, mas estando na forma humana. Isso era estranho demais. E a porcaria da ração tem gosto bom... Ao menos me agradava. Já contava quase 10 horas diárias ativando meus poderes e outras 3 agindo como um animal sem usá-los. Havia reduzido o número de aulas, já não conseguia aplicar uma inteira sem ter que ir ao banheiro cuspir uma bola de pelos. Precisava de tratamento urgente. Se bem que... Aquela Academia X... Acho que vale a pena investir nisso. Irei pensar em entrar em algum curso de inglês, para poder entrar de cabeça nisso. Claro, não antes de ir pegar outro pacote de whiskas sachê na dispensa.




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Re: Diário de Gustavo Stajnko

Mensagem por Gustavo Katzmann em 31.10.14 23:38




Capítulo 6

Exames Felinos

São Paulo, 07 de Agosto de 2013, 11:29;

Estava sentado, analisando algumas fotos minhas que vim tirando nos últimos meses. Percebi algumas alterações em minhas feições, eu parecia estar mais felinizado. As diferenças eram poucas, mas existiam. Resolvi então buscar um especialista em mutantes. Lembro uma vez de ter visto na TV o Dr. Afonso, que era (e é ainda) considerado o maior especialista em mutações genéticas. Ele atendia num dos grandes hospitais de São Paulo. Pois bem, era hora de ter uma consulta com o especialista...

Com óculos escuros no rosto, tive a preocupação de apenas mostrar minha mutação quando estivesse no consultório. E assim o fiz. Logo que entrei no consultório, retirei os óculos escuros e mostrei meus olhos felinos. Aproveitei e mostrei também as fotos de minha evolução. Ele analisou, analisou, analisou... Foram quase 10 minutos dele observando as fotos e olhando para mim. Quando acabei lambendo as costas de minha mão, ele se levantou.

- Rapaz... Você está com problemas. São poucos os mutantes que eu vi assim... Me diga, há quanto tempo você adquiriu os poderes?

- Alguns meses... Por que?

- Isso não é bom... Venha comigo.

Ele me levou até uma sala, me deixando dentro dela. A partir de um alto falante, ele começou a me explicar o que iria acontecer.

- Vou fazer um mapeamento de sua mutação... Preciso que você se transforme sempre que a luz se acender, e volte a sua forma humana sempre que ela se apagar. Use todas as suas formas animais.

Compreendi, e aguardei a luz se acender. Não demorou muito, e ela apareceu, me dando sinal para me transformar. Realizei a transformação em gato, e logo a luz se apagou, me fazendo voltar a ser humano. Logo em sequência, a luz se acendeu novamente, e eu ativei a forma de leão, voltando a forma humana quando a luz se apagou novamente. E assim passei quase três horas, nesses exaustivos exames. Passei por todas as minhas formas, até tentei algumas híbridas. Eis que o doutor abriu a porta, me chamando para uma conversa. Ele estava com alguns papéis nas mãos, e fazia gestos de preocupação.

- Sr. Stajnko, eu tenho que lhe dizer... A situação de sua mutação não é nada boa. Quero que você venha realizar retornos nesta semana inteira. Se for o que eu estou pensando... Espero que não seja isso.

Fiquei preocupado, confesso. Você ouvir de um médico respeitado no país isso é por que algo está muito ruim... O cumprimentei, empunhei meus óculos e saí de seu consultório, retornando a minha casa. E, naquela semana, tudo o que fiz foi, basicamente, a mesma rotina: Visitar o doutor, passar por exames, retornar para casa, manter o controle dos poderes... Questões básicas e rotineiras, obviamente.

Passada a semana de exames, fui para a consulta final com o médico, a que iria determinar qual era minha situação. Entrei no consultório, cumprimentei o Dr. Afonso, me sentei na cadeira e me preparei para ouvir. Ele parecia preocupado. Com os papéis em mãos, ele começou a me contar tudo:

- Então, Sr. Stajnko, se eu disser que a situação é boa, estarei mentindo. Constatei que seus poderes causam em você uma mutação genética permanente.

- Permanente? Como assim, doutor?

- Em outras palavras... Você está deixando de ser humano.

Me assustei na hora. Como assim, deixar de ser humano? Não... Aquilo não fazia o menor sentido para mim.

- Como assim? Eu vou deixar de ser humano? E o que vou virar?

- Analisando seu DNA, percebi que 2% dele é idêntico ao dos Tigres. Possivelmente, isso explica seus olhos estarem assim e você ter criado presas. Mas a questão não é essa, Gustavo... Posso te chamar assim?

- Até prefiro.

- Ótimo. Então, percebi também que, entre cada transformação sua, seu DNA sofria alterações. Mas, ao voltar a sua forma humana, parte do DNA era mantido e metamorfoseado no DNA felino. Em outras palavras, você está virando um animal aos poucos. E suas transformações aceleram esse processo.

- Aos poucos? Mas... Como? Não posso usar meus poderes então?

- Gustavo, as transformações não interferem muito nesse caminho já traçado. Mesmo que você nunca mais se transforme, a mutação prosseguirá.

Meu mundo caiu na hora. Meu destino então era me tornar um animal irracional? Eu só iria piorar daqui pra frente? Muitos pontos de interrogação surgiram em minha mente na hora, mas eu só conseguia pensar numa pergunta:

- Quanto tempo a transformação levará pra ser concluída?

- Olha, Gustavo... Não dá pra dizer. Sua transformação pode parar amanhã, como pode nunca cessar. E, no ritmo em que você está indo, creio que estará como uma mistura humana-animal em cerca de 1 ano... No máximo dois. E será o animal inteiro, se a transformação não parar, em 3 anos, talvez. E não há como reverter o processo mutatório.

Uma lágrima escorreu em meu rosto. O médico ficou olhando para mim, parecia querer me ajudar, mas ele estava de mãos atadas. Ele apenas deu alguns tapas em meu ombro, como que de consolo. Eu olhei para ele, abatido.

- Tem algo que eu possa fazer?

- Treine bastante. Talvez você não perca o controle. Infelizmente, já está num nível avançado, a ponto de que você já lambe partes de seu corpo. Aposto que também se alimenta de comida de gato e carne crua, acertei?

- Sim... E prefiro isso.

- Muito avançado... Seu lado felino é muito forte. Cuidado para ele não ficar mais forte que o humano... Embora ele vá ficar naturalmente. E apenas treine, garoto. Você ainda está com 2% de DNA tigrino, mas este percentil pode subir para 25% em alguns meses. É bom ir se acostumando a pelos tigrados, patas e cauda.

Apenas concordei com a cabeça, cumprimentei o médico e me retirei do consultório, abatido. Caminhava de volta pra casa observando minhas mãos a todo momento. Eu tinha a impressão de vê-las como patas. Talvez estivesse pensando demais no assunto... É irreversível, o que eu posso fazer? Retirei um pacote de whiskas de meu bolso e comecei a comer, atraindo olhares tortos das pessoas que passavam pela rua. Mas eu não ligava... Talvez essas pessoas me vissem novamente, mas eu atrás de uma jaula, num zoológico. Sim, era o destino de animais... E era meu destino ser isso... Passei o dedo em minha boca, senti as presas um pouco mais afiadas e deixei outra lágrima escorrer por meu rosto.




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Re: Diário de Gustavo Stajnko

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