Diário: Nicole Mert-ekert

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Diário: Nicole Mert-ekert

Mensagem por Nicole Mert-ekert em 13.07.14 23:31

DIÁRIO:
Nicole Mert-ekert


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Os textos abaixo são reflexões, conclusões, visões e fantasias de Nicole Mert-ekert, uma clarividente que se encontra de frente com a morte. São reflexões solitárias, pensamentos próximos ou distantes, poesias quando há inspiração, ou simplesmente uma crítica a algo ou alguém. Não julgue, suas palavras não valem nada para alguém que está tão próximo da morte, e Nicole sinceramente não se importará com o seu julgamento.




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Re: Diário: Nicole Mert-ekert

Mensagem por Nicole Mert-ekert em 13.07.14 23:34

DIÁRIO:
A morte muda tudo...


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A sombra da morte muda tudo. Quando ela é algo que pode ser pensado "distante" ou simplesmente relegado ao outro, então podemos nos dar ao luxo de fazer planos megalomaníacos e esquizofrênicos, centrados em um universo próprio dedicado a nossos egos tão frágeis quanto uma taça cristal em meio a um tiroteio de realidade. E claro, não podemos esquecer que a morte nunca estará nos nossos planos, ela é algo tão alienígena a nós, tão estranho, apenas presente nas encenações dos filmes ou teatros, distorcidas pelas religiões, cantada pelos poetas, mas nunca imaginada como algo tão próximo.
Eu tinha planos. Queria uma carreira de pesquisadora, assim como meu pai, queria uma carreira como professora, assim como minha mãe, queria ser conhecida por meu trabalho, meus anos de faculdade dedicados a uma futura carreira política, quem sabe um cargo na ONU. Até que a sombra da morte me espreitou, e tudo isso foi pro ralo.
Esse cigarro que estou fumando agora, o fim dele é o mais longe que consigo planejar com um certo grau de certeza. A marca das cordas nos pulsos, os cortes superficiais de chicote nas costas e o sabor de borracha na boca, por causa da mordaça de bolinha, é o mais próximo que tenho da lembrança do que é prazer sexual, enquanto a minha relação com a prostituta dominatrix, que acaba de sair de meu quarto, é o mais próximo que terei para chamar de "relacionamento" e seu cartão de contato é o máximo que posso considerar como "amor".
Como pode ver, não há perspectivas. A única esperança, é meu dom, e ao mesmo tempo minha maldição. Eu posso ver o que ninguém mais vê... Eu posso romper por instantes o véu que separa a ilusória realidade presente da realidade superior, o futuro. Em contrapartida, isso vai me matar. Não é um lamento, pelo menos, não mais. Alguns me chamariam de conformada, outros, de indiferente, enquanto alguns me considerariam sábia. Quem deles está certo, ou quem está errado? Não importa, não mais nos dias de hoje. Como disse, não é um lamento nem um desabafo, considero como resignação ao destino verdadeiro. Como minha mãe sempre me ensinou, não há possibilidades para Allah, nunca houve e não haverá um "e se fosse diferente?".
A sombra da morte para mim não é algo distante mais. Está incomodamente próximo, dentro de minha cabeça, pressionando aos poucos meu cérebro contra meu crânio, até quando não puder mais enxergar a luz ou pronunciar uma única palavra com sentido. A ameaça não me vem sob o véu negro de um vulto empunhando uma foice, a morte estava presente desde o momento em que nasci, e minha doença apenas me fez consciente da fragilidade de minha vida. Hoje, a vejo como uma mulher gentil e protetora, pronta para acolher em seus braços aqueles que precisam de seu busto quente e macio, para afastar do sofrimento e da dor que o mundo representa. Meu medo, é o que a doença pode fazer comigo, enquanto aguardo o abraço gentil da morte, fugindo da tentação de uma faca nos pulsos, da arma guardada na gaveta de minha escrivaninha ou mesmo da linha do trem no metrô.
Se a sombra da morte me espreitando foi um "não" aos meus planos de construir um legado na política, as visões me dão a convicção necessária de que Allah me reservou outra missão. Meu legado, eu não poderei vislumbrar em vida, não vou me iludir com falsas esperanças de "imortalidade", mas tenho fé que meus diários serão a luz que guiará as pessoas de meus sonhos em grandes destinos, que a sombra da morte da morte tira de minhas mãos, e transfere para elas. A morte muda tudo, e muda a todos...




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