Diario Jared "Jay" White

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Diario Jared "Jay" White

Mensagem por Jared White em 13.07.14 18:10

Os textos abaixo são transcrições de páginas de cadernos encontrados pertencentes ao mutante que responde por Jared “Jay” White, eles contêm informações e pensamentos do indivíduo sobre o mundo e sua realidade, além da estranha necessidade relatar seus sonhos e escrever como se estivesse conversando com alguém. Talvez se trate de um indivíduo solitário.
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Jared White
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Re: Diario Jared "Jay" White

Mensagem por Jared White em 13.07.14 18:29

Hey, Bloco de notas novo. Isso aí, nunca vou te chamar de diário, acostume-se.
Primeiro, pois não escreverei em você todos os dias, segundo, não sou nem uma menininha ou o Doug Funny, e terceiro... Ah! Deixa pra lá!
Escrevo em você, começando um bloco novo, porque depois de meses, tive de novo aquele sonho e não tinha caderno, então peguei você pra isso... se sinta honrado por isso, ou desgraçado...
É isso: eu tenho de novo quatorze anos, mal tinha pelos ou barba, estou amarrado numa mesa dessas de hospital, ela desliza por um longo corredor. Eu, nela, só consigo ver portas, paredes e luzes no teto, que às vezes correm rápido e às vezes vão em câmera lenta, igual em seriados médicos quando se transporta um paciente importante para sala de cirurgia. E de repente tudo fica escuro, e estou de pé, milhões de agulhas e seringas a minha volta e do meio delas surge aquele enorme par de olhos vermelhos, brilhando como luzes de farol em meio a escuridão refletindo as agulhas vindo em minha direção.
...
Eu sei, é um sonho idiota, mas todas as vezes que o tenho, eu acordo assustado, ensopado de suor. Isso é ridículo, e soa pior ainda quando conto ou escrevo. Eu tenho 17 anos, sou quase adulto e estou com medo de um sonho que insiste em se repetir e, pior, estou escrevendo isso num (diário) bloco de notas...

______


Voltei, vamos tentar novamente bloco de notas... ai droga...
Acostumei com isso de escrever num caderno quando tenho certos pesadelos. Também já tem mais de dois anos que faço isso...
Lembro-me da primeira vez que fiz isso, lembro-me de quando ganhei o primeiro “diário de sonhos” que é agora um bloco de notas velho usado... Ou lixo, sei lá... Não importa!
Fazia poucos dias desde que tinha voltado da viagem por New York, fazia poucos dias desde que eu tinha tido meu “apagão”, é assim que eu chamo o período de 40 (segundo meus pais e a polícia) que eu desapareci e não me lembro de nada, 40 horas que eu simplesmente apaguei, sumi do mundo e de mim... Então, já sabe bloco de notas, se eu falar do “apagão”... é isso...
Bom, logo que chegamos de viagem, meus pais ficaram doidos de preocupação e começaram a me levar para vários médicos, psiquiatras, neurologistas e psicólogos. Eu me senti como uma cobaia de laboratório, de tantos exames que fizeram em mim, todos queria saber por que eu tinha apagado, o que tinha feito, ou o que tinham feito comigo, era um inferno. Eu não me lembrava. Não lembro. Mas logo comecei a ter pesadelos.
O psicólogo que me atendia teve a ideia de me pedir para anotar meus sonhos, ele me disse de começo que poderia me dar alívio escrever sobre os pesadelos, e tentar fazer a imagem deles mais nítidas e entendê-los. Mas na real, ele só queria era ver se tinha informações nos meus sonhos sobre o que aconteceu comigo.
Eu me lembro dele entregando o caderno novinho de capa azul clara e falando que sempre que tivesse pesadelos para anotar nele, anotar o pesadelo e o tivesse se passando na minha cabeça na hora, e que depois conversaríamos sobre. O cara era um babaca, mas eu criança assustada, acreditei e fiz, eu faria qualquer coisa para parar aqueles pesadelos e conseguir dormir em paz.
No começo eram todas as noites, todos os dias tinha algo a escrever e um pesadelo a contar, e logo os pesadelos tomavam a mesma forma: a mesa e eu amarrado, algo que lembrava um hospital, as agulhas e os olhos vermelhos. Os pesadelos eram diferentes, mas sempre tinham as mesmas coisas, um saco e nada criativo.
E eu anotava e levava ele para o psicólogo, que nunca conseguiu entender nada. Não o culpo, nem eu entendo... Um sonho babaca que me assusta tanto... até hoje...
Bom, bloco de notas a coisa é, antes esses pesadelos se repetiam todos os dias, agora são só algumas vezes no ano, logo não espere muitas anotações minhas aqui.
Sabe o que é engraçado, meus pesadelos diminuíram conforme minha vida foi se tornando um pesadelo real... Mas, sem tempo para escrever sobre isso em você, já é quase sete horas da noite e eu preciso tomar um banho, me arrumar e sair desse quarto porcaria de hotel e ganhar algum dinheiro...  
Escrevo em você qualquer hora, ou não.             :P
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Jared White
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Re: Diario Jared "Jay" White

Mensagem por Jared White em 23.07.14 22:36

Hey, Bloco de Notas. Volto a escrever, e como deve imaginar, ah, você não imagina... Tive o sonho de novo.
Bom, dessa vez algumas coisas mudaram um pouco no sonho. Vou contar:
Eu tinha de novo por volta de 13 a 14 anos, eu estava no quarteirão de casa, era inverno, eu vi meus pais ao longe em meio ao branco da nave que deixava toda a paisagem clara e brilhante ao refletir a luz do sol, eu não sentia dor de cabeça como agora. Aquele era o tipo de tarde de inverno que adorava no Canadá quando criança. Eu ouvia a voz dos meus pais me chamando, falando que me amavam, que devia correr logo para irmos ao parque aproveitar a tarde de inverno como uma família. (Que idiota, não?)
Eu sorri, e corri para eles, mas parecia que eu nunca os alcançava. Surgiu uma nevasca que repentinamente ficou forte. E então tudo ficou branco e frio e não tinha mais nada para ver.
Quando percebi, o frio que sentia era do metal em minhas costas da maca, e o branco eram as paredes do hospital. O que parecia ser um sonho (legal) nostalgico, tinha virado o pesadelo de sempre. Eu estava nu, amarrado na maca gelada e era arrastado pelo corredor branco, até atravessar uma porta daquelas duplas de sala cirúrgica em hospitais e então estava tudo escuro. Eu estava em pé e surgiam da escuridão homens, pareciam médicos de jaleco e máscara, mas eram feitos de pura escuridão. Vinham em minha direção com serrotes e injeções de agulhas gigantes. Tinham em suas faces enormes olhos vermelhos brilhantes. Eu tentava correr, mas era difícil me mover, sair do lugar, dar um passo.
Então senti as agulhas, os cortes, a dor. E o mais estranho, é que essa não foi a pior a dor que senti no sonho. Quando os médicos sumiram, das sombras voltaram a surgir meus pais. Eles tinham aquela expressão no rosto que eu vi antes de fugir de casa, o desespero, a culpa e a raiva.  Num instante do sonho eu vi ecoar pela escuridão todas as frases que ouvi deles por meses: “Você é um monstro”, “Não presta”, “Devolva nosso filho verdadeiro”, “Aberração”, “Nossa família esta destruída por sua causa”, “Devia ter desaparecido e nunca voltado”, “Você não é meu filho”, “Eu não criei essa coisa”.
Engraçado como essas palavras ainda doem lá no fundo. Mas tudo bem, eu consigo botar um sorriso na cara e ninguém percebe...
Bom, continuando o sonho, sim Bloco de Notas essa coisa “emo de pesadelo” já está acabando... As frases tomavam forma e eu me via enjaulado nelas, sendo obrigado a encarar a face de decepção dos meus pais. Pois é, aqueles que falaram me amavam, que éramos uma família no começo do sonho, agora eram puro ódio e decepção, tudo porque eu agora era um mutante... Dá para se chamar isso de amor? É por isso que digo, amor não existe...  pelo menos não para mutantes...
Quando achei que o tormento de encarar meus pais enjaulado era muito, voltou a nevar no sonho, era gelado, mas pelo menos a neve branca cobria a escuridão e fazia a imagem dos meus pais sumirem, assim como as palavras deles se perdiam no vento gelado. Um floco de neve azul caiu na palma da minha mão eu senti frio, muito frio, e então acordei.
E adivinha só Bloco de Notas?!
Eu acordei e me vi apenas de cueca no chão frio do quarto do lado da cama com as minhas roupas jogadas espalhadas pelo chão, meu rosto estava ensopado...
Por isso estava com tanto frio. Pensando agora, eu devo ter bebido de mais ontem, nem lembro direito como voltei para o quarto do hotel e devo ter caído no chão retirando a roupa e dormi por lá... Ai, eu realmente não presto... Por isso, tanto frio e neve no sonho... Eu acho...
Espero não ficar gripado.
E já que provavelmente ninguém vai ler essa porcaria, eu posso falar. Acho que ainda sinto falta dos meus pais. Eu sei, foi tudo uma droga, mas, sinto falta às vezes de poder voltar para um lugar que você chama de casa e encontra as mesmas pessoas lá te esperando.
Às vezes andando na rua eu tenho um pouco de inveja quando vejo garotos da minha idade indo para escola ou faculdade. Mas ao mesmo tempo, gosto de poder ser livre e ir onde eu quero, sem ter que dar satisfações. Só queria um porto seguro para voltar às vezes...
Outra coisa, quando acordei, eu vi no calendário do meu celular, era aniversário do meu pai, talvez isso do sonho com ele, era parte dessa memória de data importante... Que já não tem mais importância nenhuma...
De qualquer forma, antes de vir escrever isso, eu acabei ligando para o David, um (amigo) contato que tenho ainda da minha cidade natal, ele realmente acredita que eu consegui uma bolsa num colégio nos Estados Unidos e estou aqui estudando, ele nem tem ideia que sou mutante... Tão inocente ele, bobo... Me pergunto, se ele espera que um dia eu volte, ou se um dia vou contar para ele a verdade... (Acho que não...)
Eu sempre que posso troco algumas mensagens com ele. E ele me informa mesmo que indiretamente como estão as coisas por lá.
Disfarcei na ligação para o David, disse que não estava conseguindo falar com meu pai, pois era aniversário dele, e ele me disse pra tentar de novo mais tarde, talvez ele tivesse numa ligação ou trabalhando, mas disse também que estava tudo bem por lá e perguntou se eu estava feliz com a boa notícia, que eu teria um irmãzinho, pois é, meus pais conseguiram engravidar novamente e estavam felizes com isso. Eu nem sabia de nada...
Tentei disfarçar o máximo que pude, mas nem sei se funcionou, fingi sim saber e estar feliz com tudo, mas na verdade, eu estava chocado. Desliguei dando a desculpa do preço da ligação e que tentaria ligar para o meu pai e dar os parabéns depois.
E então era isso... Eles tinham seguido a vida, e agora esperavam outro filho que seria perfeito e eles o “amariam”. Nem sei direito o que senti, só estava confuso. Mas uma coisa era certa, eles seguiram em frente e estava mais do que na hora de eu seguir também...
Bom, hora de tomar um banho quente, vestir algo descente, botar um sorriso na cara e sair para mais uma noite de jogatina. Espero ganhar bastante hoje, afinal, como dizem: “azar no amor, sorte no jogo”. Acho que é hora de mudar de cidade também, de novo.
Escrevo em você qualquer hora, Bloco de Notas, ou não. :P
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Re: Diario Jared "Jay" White

Mensagem por Jared White em 02.08.14 20:58

Hey Bloco de notas! Estou aqui de novo. Sonhos de sempre, mas dessa vez não estou aqui para escrever sobre eles.
Eu só queria contar uma coisa, mas não tinha para quem, então resolvi escrever por aqui. Ok, isso é meio idiota, mas eu estou feliz e sou idiota, tenho direito. XP
Bom, hoje eu ganhei uma grana alta! Alta mesmo! Eu explico como foi.
Fui para um bar que eu já estava frequentando nos últimos dias, eu tinha ouvido falar que lá tinham jogadores que sabiam apostar alto, bem alto, caras ricaços da cidade. Que ficavam em mesas especiais de jogo, onde só alguns de fora foram convidados a fazer parte.
Então, inicialmente fui jogando nas mesas normais, aquelas discretas posicionadas no fundo do bar meio as escondidas, apostando mixaria com bêbados, vencendo algumas e perdendo outras de propósito, me mantendo numa média alta. Não queria que desconfiassem que eu tinha meus truques para ganhar, nem que era um profissional, não era minha intenção assustar e nem parecer um cara que jogava mal. Tinha que mostrar algum brilho, um desafio, para que me convidassem para a tal mesa especial.
Não demorou muito e fui convidado a ir para os fundos do bar e descer até o porão, onde ficava a tal mesa especial de jogo, que por si era uma mesa simples redonda com uma toalha verde de feltro e cadeira à volta onde estavam sentados meus ‘camaradas’ de jogo, eles que realmente faziam a mesa ser especial. Só tinha figurão lá. Eu mal bati os olhos neles e já via as roupas caras, os anéis de ouro, os sapatos de couro provavelmente italianos. Pura ostentação. Era uma mina de ouro a minha espera.
Bom, precisava me preparar, primeiro ver como sair daquele porão com os bolsos forrados, sei bem como tem gente que não sabe perder para mim. Então precisava sondar os caras e ver que tipo de informação conseguia deles.
Para minha sorte não parecia haver seguranças particulares deles. Em geral eles pareciam homens comuns, a maioria um pouco acima do peso, aquela coisa, caras mais velhos, por volta dos 40 anos, os ricos da cidade que mandam no comércio, só sabem encher o estomago, e que fazem zero de exercícios, um clássico. Apenas um deles parecia estar armado e outro tinha marca de aliança no dedo, mas estava sem ela. E apenas uma lâmpada sobre a mesa iluminava o local.
Era muito bom aquilo para mim. Perfeito! :)
O decorrer das ações era o mesmo de sempre, conversar com os caras, contar a minha história do universitário querendo ter uma aventura e que gosta de jogar e mostrar que sou imprudente e metido.
Os caras mais velhos sempre gostam de jogar com os jovens imprudentes, metidos e aventureiros, para ganhar deles e destruir seu ego, dar uma lição de moral e sentirem superiores frente a ‘criança’, eu já tinha aprendido isso e sabia usar bem isso contra os jogadores em mesa. Se passar de bobo e vítima em potencial como isca para abocanhar a presa que vai se aproximar sem defesa se achando o mais forte.
Depois em meio as conversas fiadas, beber com eles, e fazer que eles bebessem muito mais que eu, especialmente o cara armado, quanto mais tonto ele estivesse mais fácil seria para mim fugir sem danos com todo o dinheiro. Simular ficar bêbado fácil, ver todos beberem, jogar um pouco de bebida fora sempre que ninguém estivesse me olhando, e incentivar e provocar todos a beberem mais e mais. Parecer alguém divertido, e deixar todos com corpo e raciocínio mais lento pelo efeito do álcool. Incrível as técnicas que você aprende com a experiências em pouco mais de 1 ano, não?
Então o jogo de cartas começa de verdade, venço a primeira e finjo nem saber como fiz isso, e ao mesmo tempo junto com o comportamento prepotente de vencedor, sabe passar aquela coisa da crença de sorte de principiante aos velhotes e também porque eu precisava de recursos para continuar o jogo.
Na primeira jogada, as apostas são sempre mais baixas, mas serve para avaliar como o jogo pode caminhar, e aquela mesa prometia.
Segui a jogadas seguintes perdendo, mas nunca de começo, tinha que mostrar que era algum desafio para eles, mas ainda assim não era páreo para eles, eles precisavam ficar confiantes, bem confiantes, para apostar de verdade.
E claro, que eu perdendo, estava ficando sem recurso, mas é nessa hora que eles veem o novato começar a ficar sem nada que as reais apostas surgem.
Um dos homens, aquele que estava sem aliança, faz a proposta de apostarem alto de verdade e diz que como eu não tinha tanta grana para entrar nessa aposta eu deveria apostar a mim mesmo, e fazer algo para o ganhador, o que ele pedisse.
Fingi que estava bêbado e aceitei a aposta ameaçando que levaria toda a grana e que deviam apostar alto, pois eu era incrível, cheguei até a levantar a blusa e mostrar meu abdômen para eles. Eu via a cara de alegria deles, especialmente o cara que propôs tal aposta, parecia um lobo olhando para o filhote de cordeiro na campina. Idiota, mal sabia ele o que iria acontecer.
A rodada começou, eu estava tranquilo por dentro, mas tinha que fazer o tipo bêbado agitado, falando que eles deviam aumentar as apostas mais e mais, que eu merecia aquilo enquanto me mostrava um pouco atrapalhado com minhas cartas para dar mais confiança a eles quanto à vitória deles.
Na verdade eu estava lá, vendo minhas cartas, e vendo refletido na íris, nos reflexos de óculos e relógios de cada um deles, as cartas que tinham em mãos, vendo as expressões faciais tendo ideia da tensão e do blefe vindo de cada um.
Terreno pronto. Bastante dinheiro na mesa. Era só finalizar. Fiz minha jogada e mostrei que tinha ganhado e que levaria toda a grana num sorriso altamente largo e cruel para eles. E antes que eles pudessem ficar bravos comigo e quererem fazer algo contra mim, ainda fingindo estar comemorando bêbado, taquei uma caneca de cerveja para cima e quebrei a lâmpada, tudo ficou escuro.
Eles não viam nada, mas eu via tudo!
Peguei a grana, mais de 5 mil dólares, sim isso é grana alta para mim, geralmente eu lucro por volta de 100 a 200 dólares nas mesas de jogos. Sem contar com o que ganhei em Las Vegas, mas fui expulso de lá e não vou falar disso. Sabe como é, ‘o que acontece em Vegas fica em Vegas’.
Sai rapidinho correndo com a grana pra fora do bar enquanto ouvia os caras gritando e o som de uma arma sendo engatilhada. Corri o mais rápido que pude fugindo sem olhar para trás e cheguei ao hotel. Agora estou aqui escrevendo em você e arrumando as coisas.
Hora de mudar de cidade!
E com essa grana acho que dá pra ir para algum lugar legal e maior. E ir de avião, estou cansado de ônibus velho, barulhento e sacolejante. Viajar é preciso. E estou com grana para ostentar um pouco. E acho que vou comer algo descente também em algum restaurante.
Preciso terminar de arrumar isso aqui e sair.
Escrevo em você qualquer hora e em outro lugar, Bloco de Notas, ou não. :P
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Re: Diario Jared "Jay" White

Mensagem por Jared White em 09.09.14 1:50




Las Vegas...



Hey Bloco de notas. Como provavelmente ninguém vai ler isso, acho que nem eu mesmo (duvido que um dia vou pegar você para ler o que escrevi...). E como estou entediado, noites de chuva forte não tem graça para sair e jogar, todos os lugares ficam vazios. Então, vou escrever sobre como fui expulso de Vegas. Matar um tempo aqui.
 Fazia quase um ano que eu já estava fora de casa, eu já tinha aprendido como usar os poderes que tinha para ganhar no carteado. De começo eu só comecei ganhando uns trocados com pequenas apostas em jogos de dardos, ter boa visão contribui para uma boa pontaria. E daí, aos poucos, fui sendo chamado para as mesas de jogos de cartas, e lá, fui aprendendo como usar meus poderes em meu auxílio. Percebi que conseguia ver as cartas dos adversários refletidos em seus óculos e, ou, olhos, e que conseguia perceber quando blefavam, mas levei um tempo muito maior para aprender a ser mais comedido e não ganhar sempre para não levantar suspeitas de ser mutante, e me portar verdadeiramente como um jogador.
 Isso me gerou vários problemas... levou um tempo... Mas aprendi.
 Ainda estava nisso de me achar um super jogador, e que ninguém perceberia que sou mutante, me achava mais esperto do que era.  Acho que diriam que isso é coisa de adolescente. De achar invulnerável e esperto... Sei lá...
 Bom, só me lembro que tinha decidido ir a Las Vegas, usar o que sabia e que podia, ficar rico, e depois ir curtir a vida. Admito que até cogitei depois de ficar rico voltar ao Canadá e esfregar isso na cara dos meus pais, mas, era bobeira... Desencanei dessa ideia rápido.
Juntei uma grana, e fui entre ônibus e caronas arranjadas até a cidade das luzes, das oportunidades e das apostas. Estava empolgado e confiante.
 E talvez tivesse sido esse misto de confiança e empolgação que me levou a uma das situações mais complicadas que vivi.
 Havia umas regras que eu não tinha aprendido ainda sobre o jogar cartas em cassinos em Las Vegas:
1- a banca sempre ganha
2- os donos de cassino se conhecem e são quase uma máfia
3- você está sempre sendo monitorado.
 Nunca mais vou esquecer disso.
 Lembro que assim que cheguei, aluguei um quarto barato num hotel que ficava na periferia da cidade, me arrumei da melhor forma que podia como que tinha e fui para onde a cidade nunca se apagava com seus neons.
 Era incrível tudo, mas ao mesmo tempo aquele monte de luzes incomodavam um pouco meus olhos, mesmo usando os óculos escuros. Mas isso não importava eu tinha planos para colocar em prática. Ficar rico!
 Era simples, passar por vários cassinos, jogar, bancar ser um jogador comum, perder algumas vezes, ganhar várias e sair sempre com saldo positivo, ou seja se começasse a complicar o jogo, dar um jeito de sair da mesa ou se começassem a desconfiar de mim, também sair da mesa. Fazer isso em cada um dos cassinos da cidade, sempre tentando me passar por alguém na noite de sorte.
 A estratégia parecia funcionar perfeitamente. Apesar de ver umas pessoas irritadas na mesa, tive a impressão de não levantar suspeitas para nenhum funcionário do cassino. Foram dois ótimos dias de jogatina e quase dez mil dólares acumulados. E como dinheiro faz dinheiro, uns investimentos, umas apostas maiores, jogadores mais abonados, mesas melhore de jogo, calculei que até o fim da semana eu conseguiria ter por volta de 100 mil, com um pouco de sorte.
 No meu terceiro dia, o jogo tinha começado bem, estava divertido, mas então os jogadores foram saindo, desistindo, e outros foram entrando. Mas esses outros eram estranhos, pareciam bastante ricos, com seus ternos e sapatos caros, num estilo fazendeiro ou petroleiro milionário, mas ainda assim eram estranhos. Tanto que nem comemorei a sorte de ter gente com tanto a oferecer para eu ganhar.
 Logo notei como eles pareciam ficar sempre de olho em mim e pareciam tensos também, mais do que normalmente um jogador ficava, parecia uma tensão por outro motivo além do jogo. Vendo isso, decidi então que era a minha hora de sair da mesa e mudar de cassino.
 Dei a desculpa de estar tarde e me levantei seguindo em direção ao caixa, trocar as fichas que tinha, e pela visão periférica notei aqueles homens também se levantando e vindo em minha direção. Respirei fundo, trocando de forma rápida as fichas que tinha no caixa e me preparando para sair do lugar e assim que possível começar uma corrida e me esconder  ou misturar na multidão. Achei de início que aqueles homens estivessem só bravos de perderem para mim, sabe como é, velhos ricos ranzinzas que não sabem perder. Mas a coisa era pior.
 Eles avançaram, e eu saí correndo porta a fora do cassino, com apenas parte do dinheiro trocado e fichas caídas pelo chão. Mas mal tive tempo de dar dois passos na rua e já tinham seguranças me segurando pelos braços.
 E então vi os homens, que estavam na minha mesa, vindo vagarosamente com enormes sorrisos de vitória estampados na cara, até mim, que no momento estava rendido pelos seguranças.
 Fui jogado dentro de um carro com os seguranças e vi que outro carro com aqueles homens vinham em sequência. Pensei inicialmente que iriam me levar para a polícia e me acusar de assalto ou trapaça, mas logo os carros começaram a ir para a periferia e seguir para fora dos limites da cidade.  Eu tentei conseguir algumas informações dos seguranças, mas eles eram como fortes estatuas, nenhum palavra, apenas me seguravam, a única coisa que conseguia deles eram alguns socos.
 Eu tinha certeza que iria morrer naquele momento.
 Os carros saíram da estrada, parando no meio do nada, a área desértica em volta da cidade. Logo pensei que seria ali que iam me matar, ninguém ia procurar um corpo por lá, ou pior, ninguém ia questionar a minha falta para começarem a procurar meu corpo. Engoli em seco saindo do carro segurado pelos seguranças.
 Do outro carro saíram os homens em seus ternos caros com seus nojentos sorrisos de vitória e logo começaram a me explicar das regras dos cassinos da cidade, como eu nunca deveria ter tentado enganá-los e como os donos de cassinos se conheciam e eram unidos, e que eles tinham gente como eu a seu serviço. Era isso, eles eram donos dos cassinos, desconfiaram de mim desde meu lucro do primeiro dia, e tinham mutantes a seu serviço que sabiam que eu era mutante também e sabiam dos meus planos.  Eles provavelmente tinham telepatas trabalhando para eles. Foi inocência minha nunca ter desconfiado disso.
 Depois dessa explicação, um deles se aproximou, apoiando se em uma bengala, dizendo que era um jovem garoto, e que não devia me preocupar, que eles não iriam me matar, que eu teria uma chance, mas que nunca mais deveria nem cogitar pisar em Las Vegas de novo.
 Eles estavam me expulsando da cidade.
 A forma cordial com que ele disse aquilo, de eu ter uma chance e ficar vivo, nem me fizeram cogitar o que ele queria dizer de verdade, ou o que ia acontecer em seguida. Eu só achei que eles iriam me deixar lá. Mas, logo tomei um golpe na cara da bengala e ouvi o homem falar aos seguranças para me darem uma lição para não esquecer e me deixar lá ainda vivo e veriam se eu tivesse sorte de viver e sair de lá por mim. Essa era a chance que me dariam.
 Fui espancado pelos seguranças por longos minutos, enquanto os esgravatados assistiam, até perder a consciência.
 Quando acordei, nem sabia quanto tempo tinha se passado, mas vi meu celular do meu lado em pedaços, eu não tinha nenhum dinheiro comigo, nem carteira ou cartão, os caras tinham até levado meus sapatos, pelo menos não tinham me deixado pelado. Minhas roupas estavam todas sujas de poeira, terra e sangue, meu corpo doía, levei um tempo para sentar, levantar e ir andando devagar até a beira da estrada.
 Fiquei horas na beira da estrada e nada, nenhuma alma ou carro surgiu, eu estava machucado, com dores, com fome e sede, já estava achando que ia morrer, e pensando se iria algum animal surgir e me matar, uma cobra ou coiote. Enquanto eu pensava como seria minha morte, a distância surgiram luzes, faróis grandes, um caminhão se aproximava, talvez eu tivesse sorte e a chance de viver, apenas esperava que o motorista me visse e parasse para me dar carona e ajuda.
 Acenei com os braços pra cima, nomeio da estrada, o caminhão parou. Contei ao motorista que tinha sido assaltado e precisava de carona até um posto ou cidade próxima, onde pudesse pedir ajuda e dar um jeito na minha vida. Ele pareceu preocupado e me ofereceu carona até um oposto na beira da estrada junto de uma lanchonete.
 Assim foi, o motorista do caminhão fez o que prometeu, me deixou naquele posto como disse, mas não me considerem um cara muito sortudo, eu tive que pagar um preço por aquela carona. Um preço que considerando meu estado físico machucado, não tive muito como recusar ou gerar resistência. Paguei a carona com o meu corpo. Isso mesmo... o cara me 'comeu', pronto falei, nem sei por que me preocupo, ninguém vai ler isso mesmo.  
 Mas, pelo menos estava ainda vivo... E hoje estou bem.  Não dá pra ficar reclamando do passado e do leite derramado.
 E isso, conclui como eu fui expulso de Las Vegas e porque não pretendo ou posso voltar para lá.
 Vou ver se faço algo ou se durmo mais Bloco de Notas, quando der escrevo algo aqui. Ou não.   :P

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Re: Diario Jared "Jay" White

Mensagem por Jared White em 10.11.14 22:21




Saudades do Benja… amor



Hey, Bloco de Notas. Volto a escrever. Tive aquel sonho de novo... Estou péssimo hoje, acho que nem vou sair pra jogar e beber.
Já conto o sonho...
Como sempre nele eu tinha por volta de 13 a 14 anos, era inverno, a rua de casa estava toda branca, não tinha aula por causa da neve e sai para brincar na rua, mas não haviam outras crianças como geralmente acontecia. Mesmo sozinho eu tentei brincar na neve, fazer um boneco de neve, mas não conseguia. Era como se a neve não estive firme suficiente para ficar em pé, sempre desmanchava o boneco. Eu nem sei direito porque mas estava triste com aquilo. Sério, quando criança nunca tinha ficado irritado por não conseguir fazer um boneco de neve, muito menos triste, mas ali no sonho eu estava.
Nem percebi direito o frio aumentar. E tudo ficar mais claro ao refletir a luz do sol na branca neve. Tanto que tive que por um instante fechar os olhos.
Quando abri os olhos o frio que sentia era da maca de metal, e o branco eram as paredes do hospital. Dava-se início novamente ao pesadelo de sempre... Droga...
Eu estava nu, amarrado na maca gelada e era arrastado pelo corredor branco, até atravessar uma porta daquelas duplas de sala cirúrgica em hospitais e então estava tudo escuro e eu de pé, sonhos são assim num segundo tudo muda.
Surgiam da escuridão homens, pareciam médicos de jaleco e máscara, mas eram feitos de pura escuridão. Vinham em minha direção com serrotes e injeções de agulhas gigantes. Tinham em suas faces enormes olhos vermelhos brilhantes. Eu tentava correr, mas era difícil me mover, sair do lugar, dar um passo. Estava imóvel e desesperado.
Então senti as agulhas, os cortes, a dor. Até que eles finalmente sumiram. Então do meio do escuro eu vi o boneco de neve que eu tentei fazer no começo do sonho, aquele amontoado de neve meio disforme. Nem sei como, mas aquele monte de neve do nada se tornara o Benjamin. É o magricelas de olhos azuis que eu tinha me apaixonado... :P
Eu tentei correr até ele, mas não conseguia sair do lugar e alcançar ele.  E ele só ficava La me encarando feio como fez no dia que eu fui até a mansão que ele vivia. Gelado feito estátua de mármore, serio como um juiz me condenando.
Ele não movia a boca, mas eu ouvia a voz dele ecoar por todo o lado.  Brigando comigo, falando que eu era uma criança sem jeito, que eu tinha magoado ele. Que eu não confiava nem sabia esperar... Que ele não me amava de volta.
Eu comecei a chorar, de um jeito que eu só tinha chorado quando decidi fugir de casa. E Benjamin ficava lá inabalável. Como se nem se importasse pelo meu desespero, e ele ele apenas se move para sobrar contra mim.
Eu senti um frio terrível. Tão forte que acordei.
Imaginei logo que teria dormido de novo bêbado no chão só de cuecas. Mas não, estava bem na cama, de cuecas, mas coberto.  Mas aidna sentia o frio. Mas não era térmico, era interno. Era um frio na barriga.
Meu rosto estava molhado, eu tinha mesmo chorado de verdade, ainda bem que não dividia quarto com ninguém, foi vergonhoso.  Lembrei da voz do Benjamin no sonho falando que eu era vergonhoso para ele.
Droga, baralhos!
Eu tinha que encarar, tinha perdido o Benjamin...
Eu fui um idiota, e fingir que esta tudo bem não adiantava, e sair pro ai pegando todos também não, ninguém é o Benjamin.
Mas tinha feito as besteiras, as apostas erradas, agora era lidar.
Era ser o moleque vadio.
Bloco de notas, será que se o Benjamin aparecesse por aqui, se eu achasse ele de novo, se eu explicasse, a gente poderia... Eu estou ficando louco! Fazendo perguntas a um bloco de papel idiota!
Chega de escrever nessa porcaria!

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PS: Realmente fiquei o dia todo no quarto de hotel, estou sem animo hoje para encarar jogar ou beber ou fingir que está tudo bem... Fiquei a tempo todo comendo as porcarias da loja de conveniência que eu comprei aqui do lado e vendo as fotos que tirei do Benjamin no celular. Eu sou um idiota...
Reafirmo: Amor não existe para aberrações.

PS.2: Para coroar o dia, David, meu amigo, contato da minha cidade natal no Canadá, me mandou uma mensagem hoje. Contou que o namoro dele está indo muito bem, e que vai ficar noivo, já comprou o anel de compromisso, me convidou para ir para lá para festa de noivado dele. Preciso ver uma desculpa para não ir. Fico feliz por ele, mas estou com um pouco de inveja também... E, acho que não é hora de voltar para casa...
Bom, bloco de novas, escrevo em você qualquer hora, ou não. :P

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Jared White
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Re: Diario Jared "Jay" White

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